Gabinete de Ações Integradas terá monitoramento 24 horas, uso de inteligência artificial, drones e imagens de satélite para identificar focos de incêndio no estado
O Governo de Goiás criou um Gabinete de Ações Integradas (GAI) para coordenar as ações de prevenção e combate aos incêndios florestais, além de preparar o estado para os possíveis impactos da estiagem e do fenômeno El Niño. A estrutura foi apresentada nesta terça-feira (18), em Goiânia, e reunirá diferentes órgãos públicos e instituições parceiras.
A medida foi anunciada em meio ao aumento da área atingida por queimadas em Goiás. Até o dia 16 de agosto, o estado contabilizava 138.908 hectares queimados, contra 112.686 hectares registrados no mesmo período de 2025. O número representa um aumento de 23,3%.
A estrutura será coordenada pelo Corpo de Bombeiros Militar de Goiás (CBMGO), por meio do Comando de Operações de Defesa Civil (Codec).
Monitoramento funcionará 24 horas
Uma das principais medidas previstas pelo novo gabinete será a criação de uma sala de situação com funcionamento permanente, instalada na estrutura da Defesa Civil, em Goiânia.
O espaço deverá concentrar informações sobre focos de calor, condições meteorológicas, níveis dos reservatórios e andamento das operações de combate aos incêndios.
A força-tarefa também contará com inteligência artificial associada a imagens de satélite. A tecnologia deverá auxiliar na identificação dos focos de incêndio, apontar a localização das ocorrências e contribuir para definir o deslocamento das equipes.
Drones e sistemas de geoprocessamento também serão utilizados para acompanhar as áreas atingidas e auxiliar no levantamento dos danos provocados pelo fogo.
Segundo o comando do Corpo de Bombeiros, a intenção é aumentar a velocidade de resposta às ocorrências.
El Niño pode agravar período de seca
O governo estadual também considera os possíveis efeitos do El Niño no planejamento para os próximos meses.
O cenário climático apresentado durante o lançamento do gabinete aponta probabilidade superior a 90% de consolidação de um El Niño de intensidade forte a muito forte no segundo semestre de 2026.
Entre os possíveis impactos para Goiás estão a irregularidade das chuvas, atraso na recarga de água no solo, redução dos níveis dos mananciais, prejuízos à produção agropecuária e aumento de problemas respiratórios.
Dados apresentados pelo governo indicam que 151 municípios goianos enfrentam redução contínua das chuvas. Deste total, 51 são considerados prioritários devido à situação de crise hídrica.
Seis bases foram instaladas no Nordeste goiano
Como parte da estratégia de combate às queimadas, seis bases foram instaladas no Nordeste de Goiás, região que concentra uma parcela significativa dos focos registrados no estado.
O objetivo é manter equipes mais próximas das áreas consideradas de maior risco e diminuir o tempo necessário para o atendimento das ocorrências.
Além do trabalho de combate direto ao fogo, o governo pretende ampliar ações de prevenção, com emissão de alertas, identificação de áreas vulneráveis e acompanhamento dos municípios que possam enfrentar problemas de abastecimento.
Saúde também terá reforço
Os possíveis efeitos das queimadas, da fumaça, do calor e da baixa umidade também entraram no planejamento.
A Secretaria de Estado da Saúde (SES-GO) informou que trabalha com cenários relacionados às ondas de calor, baixa umidade e aumento da concentração de fumaça provocada pelos incêndios.
Entre as medidas está a ampliação de 30% do estoque estratégico de oxigênio, broncodilatadores, insumos e soro.
O Estado também estabeleceu critérios para o acionamento de protocolos específicos, incluindo períodos em que a umidade relativa do ar fique abaixo de 20% ou quando as temperaturas ultrapassarem 34°C por mais de duas semanas.
Plano terá três frentes
O planejamento do Gabinete de Ações Integradas será dividido em três eixos: prevenção, resposta emergencial e recuperação.
Na prevenção, estão previstas ações como o mapeamento de municípios com risco de desabastecimento, identificação de populações vulneráveis e emissão de alertas.
Durante situações de emergência, o plano prevê combate aos incêndios, distribuição de água potável, patrulhamento de áreas de preservação e reforço no atendimento de saúde.
Após os incêndios, as equipes deverão atuar na recuperação ambiental, conservação do solo, restabelecimento de redes elétricas e apoio às comunidades afetadas.
Ao todo, cerca de 20 setores deverão participar da estrutura, incluindo órgãos estaduais, forças de segurança, empresas e instituições parceiras.
Goiás busca antecipar resposta às queimadas
De acordo com o governo estadual, a criação do gabinete busca antecipar decisões e integrar as ações de diferentes setores diante de um cenário de maior risco de queimadas e estiagem.
Com o monitoramento permanente e o uso de tecnologia, a expectativa é identificar os focos com maior rapidez, direcionar as equipes para as áreas críticas e reduzir os impactos dos incêndios e da crise hídrica em Goiás.







