Mensagens extraídas do celular do banqueiro Daniel Vorcaro trouxeram novos elementos sobre a relação dele com o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Os diálogos, revelados pelo jornal O Estado de S. Paulo, foram incluídos em relatório da Polícia Federal e tiveram o sigilo suspenso por decisão do ministro André Mendonça nesta terça-feira (1º).
As conversas também envolveram o contrato de R$ 131 milhões firmado entre o Banco Master e o escritório Barci de Moraes, comandado por Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro. Segundo as mensagens, Vorcaro cobrava atenção especial aos pagamentos relacionados ao contrato.
Vorcaro teria pedido ajuda a Moraes
De acordo com o relatório da PF, Vorcaro teria pedido a Moraes que atuasse junto ao diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e ao procurador-geral da República, Paulo Gonet.
Em uma das mensagens, o banqueiro relatou ter recebido informações sobre uma possível pressão contra o Banco Master e pediu que Moraes reforçasse a situação com integrantes da PF e da PGR. Naquele momento, o banco enfrentava dificuldades financeiras e Vorcaro buscava alternativas para a instituição.
A PF conseguiu recuperar as mensagens enviadas por Vorcaro e identificar que elas foram encaminhadas ao celular de Moraes. As respostas do ministro, porém, não foram recuperadas, porque as conversas eram enviadas por meio de imagens com visualização única.
Mensagens citam prisão de Vorcaro
Outra troca de mensagens indicou que Vorcaro teria conversado com Moraes sobre a possibilidade de uma operação da Polícia Federal e sobre uma eventual prisão.
Em 15 de novembro de 2025, dois dias antes de ser preso, o banqueiro perguntou ao ministro se deveria deixar o país. No dia seguinte, voltou a questionar sobre a possibilidade de uma ação da PF. Em 17 de novembro, data em que foi preso no Aeroporto Internacional de São Paulo, Vorcaro voltou a procurar Moraes para saber se havia alguma novidade.
O banqueiro foi preso preventivamente em novembro de 2025 sob acusação de envolvimento em uma fraude de R$ 12,2 bilhões no sistema bancário.
Filhos de Moraes receberam cartões do Banco Master
As mensagens também revelaram um episódio envolvendo os filhos de Alexandre de Moraes, Giuliana e Alexandre Barci de Moraes.
Em outubro de 2025, um administrador do escritório Barci de Moraes procurou Vorcaro para tratar da emissão de cartões de crédito para os dois. Uma executiva do Banco Master consultou o banqueiro sobre a concessão dos cartões, cada um com limite de R$ 300 mil. Vorcaro autorizou o procedimento.
Escritório diz que não havia impedimento legal
Em nota, o escritório Barci de Moraes afirmou que seu setor de compliance consultou Alexandre de Moraes antes da contratação pelo Banco Master para verificar possíveis impedimentos legais.
Segundo a banca, não havia previsão de atuação no STF nem impedimento para a contratação. O escritório também afirmou que o ministro jamais julgou uma causa envolvendo o Banco Master.
PGR pediu nulidade do inquérito
Após a decisão de André Mendonça de retirar o sigilo do relatório, a Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifestou contra os procedimentos adotados pelo ministro e pediu a nulidade do inquérito.
O procurador-geral Paulo Gonet afirmou que a determinação para investigar pessoas específicas, sem pedido do Ministério Público ou iniciativa da própria autoridade policial, teria ultrapassado os limites de competência do magistrado na fase pré-processual.
Mendonça afirmou que o caso deverá ser submetido ao plenário do STF, que será responsável por analisar os novos elementos apresentados pela Polícia Federal.







