Aparelhos de raio-X foram encontrados em prédio abandonado no Centro da capital; Prefeitura informou que equipamentos funcionam por energia elétrica e não possuem material radioativo
Uma vistoria realizada pela Prefeitura de Goiânia descartou a existência de risco radiológico em equipamentos encontrados em um prédio abandonado no Centro da capital. O imóvel onde funcionava a Escola Brasileira de Implantes Dentários (EBIDE) foi alvo de uma ocorrência da Polícia Militar, que encontrou aparelhos e materiais relacionados à antiga atividade odontológica.
A presença de um equipamento de raio-X inicialmente levantou a suspeita de que poderia haver material radioativo no local. Diante da preocupação, a Polícia Militar acionou a Prefeitura de Goiânia para que uma equipe técnica avaliasse os aparelhos.
A vistoria foi realizada nesta quarta-feira (12) e, segundo o secretário municipal de Eficiência (Sefic), Fernando Peternella, não foi identificado risco à população.
Equipamento de raio-X não possui material radioativo
Após a avaliação técnica, Fernando Peternella explicou que o aparelho encontrado no imóvel funciona por meio de energia elétrica e não armazena material radioativo.
Segundo o secretário, o equipamento é semelhante aos aparelhos utilizados em consultórios odontológicos e em clínicas de Goiânia.
Peternella explicou que a emissão dos raios acontece por meio de um pulso de energia elétrica. Dessa forma, não há uma substância radioativa armazenada no equipamento que possa representar risco permanente para as pessoas que tenham acesso ao prédio.
A avaliação tranquilizou comerciantes que trabalham nas proximidades do imóvel e que ficaram preocupados ao tomar conhecimento da possibilidade de haver materiais radioativos no prédio abandonado.
Suspeita chamou atenção por causa do acidente com césio-137
A preocupação da Polícia Militar também levou em consideração o histórico de Goiânia com o acidente radiológico envolvendo o césio-137, ocorrido em 1987.
Na época, uma cápsula com material radioativo foi retirada de um aparelho abandonado e posteriormente manipulada por pessoas que desconheciam os riscos associados ao conteúdo.
Por causa desse histórico, a possibilidade de equipamentos relacionados à área odontológica estarem abandonados em um imóvel frequentado por pessoas sem conhecimento técnico despertou atenção das autoridades.
A PM informou que havia preocupação principalmente com a possibilidade de moradores em situação de rua e usuários de drogas manipularem os equipamentos ou outros materiais encontrados no prédio.
Após a vistoria, entretanto, a Prefeitura descartou a existência de risco radiológico nos aparelhos de raio-X encontrados.
Equipamentos não podem ser retirados do imóvel
Apesar de a vistoria ter descartado o risco de radiação, os equipamentos permanecem dentro do prédio.
Segundo a Secretaria Municipal de Eficiência, o imóvel está sob embargo judicial. Por isso, nenhum objeto pode ser retirado do local sem uma autorização específica.
A situação impede, neste momento, que os aparelhos sejam removidos do prédio abandonado.
Imóvel era frequentado por moradores em situação de rua
De acordo com a Polícia Militar, o prédio abandonado vinha sendo utilizado como abrigo por moradores em situação de rua e usuários de drogas.
A corporação também recebeu denúncias de que o imóvel poderia estar sendo utilizado como ponto de apoio para furtos cometidos contra estabelecimentos comerciais e escritórios localizados na região central de Goiânia.
Durante as ações realizadas na região, equipes de Inteligência da PM informaram ter prendido dois suspeitos de furtos. Os homens e os objetos apreendidos foram encaminhados à Central Geral de Flagrantes para as providências cabíveis.
Comerciantes relatam invasões ao prédio
Comerciantes que trabalham nas proximidades relataram à reportagem que o imóvel continua sendo acessado mesmo estando abandonado.
Segundo os relatos, pessoas entram no local pulando o muro e arrombando o portão.
A situação tem gerado preocupação entre os comerciantes, principalmente diante dos relatos de furtos na região.
A descoberta dos equipamentos também aumentou a apreensão dos trabalhadores, que afirmaram não saber que havia aparelhos de raio-X abandonados dentro do imóvel.
Após a vistoria da Prefeitura e a confirmação de que não havia risco radiológico, os comerciantes disseram estar mais tranquilos.







