Ovos de Páscoa mais caros em 2026: entenda por que o preço do cacau em queda não alivia o bolso do consumidor

Por que os ovos de Páscoa estão mais caros em 2026?
Por que os ovos de Páscoa estão mais caros em 2026?

Ovos de Páscoa mais caros em 2026: entenda por que o preço do cacau em queda não alivia o bolso do consumidor

Produção iniciada quando commodity valia até US$ 8 mil por tonelada explica alta acumulada de 26,37% nos chocolates; setor registra crescimento na produção e geração de empregos


Quem foi às compras de Páscoa neste ano e se surpreendeu com os preços nas prateleiras tem uma razão concreta para o desconforto. Mesmo com o cacau registrando forte queda nas últimas semanas — chegando a cerca de US$ 3 mil por tonelada —, os ovos de chocolate seguem significativamente mais caros do que em edições anteriores. O aparente paradoxo tem uma explicação direta: os preços atuais refletem contratos firmados meses atrás, quando a commodity estava em patamares muito mais elevados.

De acordo com o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), a alta acumulada de chocolates e bombons entre março de 2025 e fevereiro de 2026 chegou a 26,37%. A Abicab (Associação Brasileira da Indústria de Chocolates, Amendoim e Balas) esclarece que a produção dos ovos de Páscoa teve início no segundo semestre de 2025, período em que os contratos do cacau estavam valorizados entre US$ 7 mil e US$ 8 mil por tonelada — valores que ainda ficavam abaixo do pico histórico registrado em dezembro de 2024, quando a commodity atingiu cerca de US$ 11 mil, impulsionada por sucessivas quebras de safra na África Ocidental, região responsável por mais de 60% da produção mundial.

Quanto os preços subiram na prática

Levantamentos realizados em diferentes estados do país ajudam a dimensionar o impacto no bolso do consumidor. Em mercados de Uberlândia (MG), pesquisa da Universidade Federal de Uberlândia registrou variações de alta entre 0,78% e 22,98% em relação a 2025, a depender do tipo e peso do produto. No Rio de Janeiro, o Procon-RJ identificou aumento médio de 16,85% nos itens de Páscoa — incluindo ovos, barras e caixas de bombons. Já em Vitória (ES), a Prefeitura apontou alta média de 3,70% nos ovos e de 9,10% em barras e bombons, com alguns produtos chegando a encarecer quase 70%.

Entre as marcas mais consumidas, a Kopenhagen registrou alta média de 4,95% no preço por grama, enquanto a Cacau Show apresentou aumento de aproximadamente 5,9% na mesma métrica.

Setor cresce apesar dos preços elevados

Mesmo com os valores pressionados, a indústria manteve o ritmo e registrou crescimento. Segundo a Abicab, a fabricação de chocolates avançou de 806 mil toneladas em 2024 para 814 mil em 2025, e a produção de ovos de Páscoa saltou de 45 milhões para 46 milhões de unidades. O faturamento do setor também surpreendeu: de acordo com a Scanntech, o crescimento chegou a 105,5% em relação à Páscoa anterior, com expansão de 75,5% em unidades vendidas e 83% em volume.

No campo social, a Páscoa de 2026 também gerou impacto positivo no mercado de trabalho. A oferta de vagas temporárias no setor cresceu de 9.946 para 10.558, com pelo menos 20% dos contratados sendo efetivados ao término do período festivo.

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