Crianças envenenadas em Goiás: mãe e padrasto são indiciados
A Polícia Civil concluiu o inquérito sobre o caso das crianças envenenadas com “chumbinho” em Alto Horizonte e indiciou a mãe e o padrasto das vítimas. O crime resultou na morte de uma menina de 9 anos e deixou o irmão, de 8, em estado grave.
Padrasto responderá por feminicídio e tentativa de homicídio
Segundo o delegado responsável, Domênico Rocha, o padrasto Ronaldo Alves de Oliveira foi indiciado por feminicídio triplamente qualificado e tentativa de homicídio, também com agravantes.
Ele está preso preventivamente desde o início de abril e permanece detido em unidade prisional na região de Uruaçu.
Mãe foi indiciada por omissão
Já a mãe das crianças, Nábia Rosa Pimenta, também foi indiciada pelos mesmos crimes, porém por omissão imprópria — quando há o dever legal de agir para evitar o resultado.
De acordo com a investigação, ela não teria tomado medidas para impedir o crime, mesmo diante de sinais de risco dentro do relacionamento.
Jantar em família terminou em tragédia
O crime aconteceu no dia 27 de março, durante um jantar na casa da família. Pouco tempo após a refeição, a menina Weslenny Rosa Lima começou a passar mal, com sintomas como vômitos e convulsões, e morreu após ser levada ao hospital.
O irmão também apresentou sintomas graves, foi internado, mas sobreviveu.
Investigações apontam envenenamento no arroz
A perícia identificou a presença de terbufós — substância conhecida como “chumbinho” — no arroz consumido pelas crianças.
Imagens de câmeras de segurança foram fundamentais para a investigação. Segundo o delegado, elas mostram o padrasto se levantando da mesa com o prato praticamente intacto, o que indica que ele não ingeriu o alimento contaminado.
Além disso, exames toxicológicos confirmaram que tanto ele quanto a mãe não consumiram o veneno.
Indícios reforçam suspeita contra padrasto
Outro elemento importante foi a localização do alimento envenenado dentro da geladeira e também no lixo da residência. Parte desse material foi ingerida por gatos da vizinhança, que também morreram.
Para a polícia, o conjunto de provas reforça a autoria do crime por parte do padrasto, embora o momento exato da contaminação não tenha sido totalmente esclarecido.
Caso expõe contexto familiar conturbado
De acordo com o delegado, o relacionamento do casal era marcado por conflitos frequentes. A investigação aponta que a mãe tinha conhecimento de situações problemáticas, o que embasou o indiciamento por omissão.
O menino sobrevivente está atualmente sob os cuidados do pai biológico.
Polícia conclui inquérito, mas caso segue na Justiça
Com o indiciamento formalizado, o caso agora segue para o Ministério Público e a Justiça, que irão analisar as denúncias e definir os próximos passos do processo.
O episódio chocou o estado de Goiás e levanta discussões sobre violência doméstica, proteção infantil e responsabilidade legal dentro do ambiente familiar.







