O infectologista Anthony Fauci, um dos principais nomes no combate à pandemia da Covid-19 nos Estados Unidos, voltou ao centro do debate político no país após prestar depoimento ao Senado norte-americano. Aos 85 anos, o ex-diretor do Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas (NIAID) permaneceu em silêncio por cerca de três horas durante a audiência, alegando seu direito constitucional de não produzir provas que possam ser utilizadas contra ele em um eventual processo criminal.
Fauci é alvo de uma investigação conduzida por senadores republicanos, que apuram suposto enriquecimento ilícito e o financiamento de pesquisas científicas relacionadas ao Instituto de Virologia de Wuhan, na China, apontado por alguns setores como possível origem da pandemia da Covid-19.
Diário reacende debate sobre origem da Covid-19
As acusações ganharam força após a divulgação de um diário pessoal de Fauci, com mais de 1.100 páginas, escrito entre 2019 e 2022 durante sua atuação no governo dos Estados Unidos.
Trechos do material mostram reflexões sobre sua crescente notoriedade durante a pandemia e registros relacionados às discussões sobre a origem do coronavírus. Em uma anotação de janeiro de 2020, Fauci escreveu que o mercado de animais de Wuhan teria atuado como “amplificador” da pandemia, mas não necessariamente como sua fonte inicial.
Os documentos passaram a ser utilizados por parlamentares republicanos para reforçar questionamentos sobre o financiamento de pesquisas envolvendo coronavírus no laboratório chinês.
Figura central na pandemia
Anthony Fauci comandou o NIAID por mais de três décadas e se tornou um dos principais conselheiros dos governos norte-americanos em crises sanitárias, participando do enfrentamento ao HIV, ebola, gripe aviária, zika e, posteriormente, à Covid-19.
Durante a pandemia, tornou-se presença frequente em entrevistas coletivas e programas de televisão, sendo considerado uma das principais autoridades em saúde pública dos Estados Unidos.
Ao mesmo tempo, também passou a ser alvo de críticas do então presidente Donald Trump e de seus aliados, que o acusavam de esconder informações sobre a origem do coronavírus e sobre o financiamento de pesquisas realizadas na China.
Perdão preventivo concedido por Joe Biden
Outro ponto que voltou ao debate é o perdão preventivo concedido pelo então presidente Joe Biden a Anthony Fauci, em 19 de janeiro de 2025, último dia completo de seu mandato.
O indulto presidencial cobre eventuais crimes que possam ter sido praticados entre 2014 e janeiro de 2025, embora Fauci nunca tenha sido formalmente acusado.
Na época, Biden justificou a medida como uma proteção contra possíveis perseguições políticas durante o novo governo de Donald Trump.
Além de Fauci, também receberam o benefício o general reformado Mark Milley e integrantes da comissão que investigou a invasão ao Capitólio, em 6 de janeiro de 2021.
Investigação continua
A investigação conduzida pelo Senado norte-americano segue em andamento. Parlamentares republicanos buscam esclarecer a atuação de Fauci no financiamento de pesquisas sobre coronavírus e sua participação nas decisões adotadas durante a pandemia.
Até o momento, não há condenação ou acusação criminal formal contra o infectologista.







