Cão comunitário atacado com líquido quente em Goiânia desenvolve infecção generalizada e luta pela vida
O cão comunitário Johnny, vítima de um ataque com líquido quente enquanto dormia em uma calçada do Setor Castelo Branco, em Goiânia, piorou o quadro clínico nesta sexta-feira (20). A veterinária responsável pelo caso confirmou que o animal desenvolveu sepse — infecção generalizada — após apresentar queimaduras de terceiro grau em quase 50% do corpo.
Estado clínico
A médica veterinária Ana Paula Freires informou, por meio das redes sociais, que Johnny passou por oscilações ao longo do dia. O animal apresentou melhora pela manhã, mas voltou a piorar no final da tarde, sendo necessário o suporte de oxigênio. Posteriormente, Johnny se estabilizou, voltou a se alimentar e a beber água, mas os exames laboratoriais confirmaram a infecção generalizada, condição que eleva significativamente o risco de óbito.
A profissional atualizou o protocolo de medicamentos e informou que o acompanhamento clínico segue contínuo. “Apesar de ele estar mais ativo e mais espertinho, passou um susto na gente”, declarou.
A possibilidade de sepse já era monitorada desde o resgate, dado que o animal apresentava episódios de febre recorrentes — sintoma esperado em quadros com extensão de queimadura semelhante.
O crime
O ataque ocorreu em 5 de março, mas ganhou repercussão pública após a perícia técnica confirmar as queimaduras de terceiro grau e divulgar imagens de câmeras de segurança no domingo (15). As gravações mostram a idosa Cacilda Ferreira de Almeida despejando um líquido sobre Johnny enquanto o animal descansava na calçada. As lesões deixaram extensas áreas do tecido em carne viva.
Em um primeiro momento, Cacilda negou a prática, alegando que realizava a limpeza da calçada com uma mistura contendo água sanitária e que teria atingido o animal acidentalmente. Posteriormente, a suspeita confessou o ato e afirmou estar arrependida. O advogado que a representa, Washington Soares, alegou que ela não teria compreendido a gravidade da ação em razão da idade avançada e da falta de conhecimento formal sobre o assunto.
Contexto legal
No Brasil, maus-tratos a animais são tipificados como crime pela Lei de Crimes Ambientais, com pena que pode chegar a cinco anos de reclusão, conforme alteração promovida pela Lei 14.064/2020. A confissão da suspeita e o registro em câmeras de segurança constituem elementos relevantes para a investigação do caso.







