Economia: Brasil Perde R$ 1 Trilhão Anual com Ineficiência nas Transições de Trabalho, Revela Pesquisa Pearson
O Brasil está deixando de ganhar R$ 1,08 trilhão por ano devido a falhas no processo de aprendizado e nas transições do ciclo de trabalho. Este valor representa cerca de 9% do Produto Interno Bruto (PIB) anual de 2024, a maior parcela entre as oito economias analisadas pela pesquisa “Perdidos na Transição”, da multinacional de educação Pearson.
Apesar de a tendência global de perdas ser causada pela automação, o estudo aponta um problema particular na economia brasileira: a maior ineficiência ocorre na transição entre um emprego e outro. Este momento de mudança gera uma baixa de R$ 701 bilhões anuais, 65% do prejuízo total.
O Desafio da Recolocação e a Geração “Nem-Nem”
A pesquisa da Pearson detalha que o principal gargalo é o tempo que o trabalhador brasileiro leva para se recolocar no mercado: 42 semanas em média para encontrar um novo emprego após deixar um posto. Esse tempo é significativamente maior que o de outros países, como o Canadá (18 semanas) e o Reino Unido (32 semanas).
“Quando olhamos para o resultado, conseguimos ver que existe um descompasso entre o que a educação e os mercados entregam às empresas, versus aquilo que a economia demanda.” – Cinthia Nespoli, CEO da Pearson no Brasil.
Se o Brasil conseguisse reduzir o período de desemprego em apenas 20%, os ganhos anuais adicionais chegariam a R$ 140 bilhões.
A executiva também destacou que um quinto da população jovem (18 a 24 anos) não trabalha nem estuda (os chamados “nem-nem”), o que agrava a situação e indica a necessidade de investimentos na educação dessa mão de obra jovem.
Ameaça da Automação
Outro ponto de perda é a disrupção causada pela automação, que gera um prejuízo de R$ 241 bilhões anuais (22% do total perdido). O estudo alerta que cerca de 32% dos empregos no Brasil estão sob alto risco de serem substituídos pela automatização, uma porcentagem superior à de países como Estados Unidos (22%) e Austrália (26%).
A Pearson recomenda duas prioridades para o país:
Enfrentar o desemprego estrutural com programas de requalificação e reinserção mais rápida.
Preparar-se para a automação agora, antes que ela se torne a principal fonte de disrupção, como já ocorre em outras economias globais.







