Entrada em massa ocorreu pelo enclave espanhol de Ceuta; governo local pede estado de emergência e reforço do Exército diante da crise migratória
Milhares de imigrantes cruzaram, nesta quinta-feira (30), a fronteira entre o Marrocos e Ceuta, território espanhol localizado no norte da África, em uma nova onda migratória que mobilizou as autoridades da Espanha. Segundo informações divulgadas pela emissora estatal TVE, entre 2 mil e 3 mil pessoas conseguiram entrar no enclave espanhol, embora o número ainda não tenha sido confirmado oficialmente.
Imagens registradas no local mostram dezenas de pessoas chegando a nado pelo quebra-mar de Tarajal, utilizando câmaras de ar e outros objetos flutuantes para atravessar o mar. Outros grupos romperam um portão da cerca que separa os dois territórios e correram em direção à cidade.
A Guarda Civil da Espanha confirmou que os imigrantes entravam “em massa pelo mar”, mas afirmou que ainda não é possível estimar quantas pessoas conseguiram atravessar a fronteira. Durante a chegada, algumas delas chegaram a gritar “Viva a Espanha”.
Travessia lembra crise migratória de 2021
O episódio relembra a grande crise migratória registrada em maio de 2021, quando cerca de 10 mil pessoas vindas do Marrocos e de países da África Subsaariana entraram em Ceuta em poucos dias, provocando uma grave tensão diplomática entre os dois países.
Ceuta e Melilla são as únicas fronteiras terrestres entre a União Europeia e o continente africano e frequentemente registram tentativas de entrada irregular de migrantes que buscam chegar à Europa.
Governo local pede estado de emergência
Diante da chegada em massa, o presidente da cidade autônoma de Ceuta, Juan Jesús Vivas, solicitou ao governo espanhol a decretação de estado de emergência.
A administração local também pediu que Madri mobilize o Exército para reforçar a segurança e controlar a fronteira. No entanto, o Ministério da Defesa informou que, até o momento, não há previsão de envio de tropas à região.
Debate sobre política migratória aumenta
A nova crise ocorre em meio ao programa do governo espanhol para regularizar aproximadamente 500 mil imigrantes sem documentos. A medida é defendida pelo governo de Pedro Sánchez, mas enfrenta críticas da oposição.
O líder do Partido Popular, Alberto Núñez Feijóo, afirmou que a situação em Ceuta representa uma “crise de segurança nacional” e acusou o governo de negligenciar o controle da fronteira.
Decisão judicial influencia fluxo migratório
Outro fator que pode ter contribuído para o aumento das travessias foi uma decisão recente da Suprema Corte da Espanha, que proibiu a devolução imediata de imigrantes interceptados no mar ao tentarem chegar a Ceuta ou Melilla.
Segundo autoridades espanholas, redes de tráfico de pessoas estariam explorando a decisão judicial para incentivar novas tentativas de imigração irregular.
O Ministério do Interior informou que mantém cooperação com o governo do Marrocos para conter a entrada ilegal de migrantes e afirmou que aqueles que cruzarem a fronteira de forma irregular serão deportados conforme a legislação vigente.
Enquanto isso, organizações e ativistas relataram que centenas de pessoas continuam deixando a cidade marroquina de Fnideq em direção à fronteira, indicando que a pressão migratória permanece elevada.







