IA já afeta empregabilidade e renda de jovens no Brasil, aponta estudo do FGV Ibre
Um levantamento inédito realizado pelo pesquisador Daniel Duque, do FGV Ibre, acende um alerta vermelho sobre o impacto imediato da inteligência artificial (IA) generativa no mercado de trabalho brasileiro. Diferente das projeções futuristas, os dados de abril de 2026 revelam que a tecnologia já é uma realidade que subtrai oportunidades e achata salários, atingindo severamente a base da pirâmide profissional: os jovens entre 18 e 29 anos.
A análise, baseada em dados da Pnad Contínua do IBGE, comparou o cenário pré-ChatGPT (2022) com o panorama atual de 2025/2026. O resultado aponta que jovens em profissões com alta exposição à IA têm hoje uma chance de emprego 5% menor do que no período anterior à popularização da ferramenta. O impacto financeiro é ainda mais drástico, com uma redução de quase 7% na renda média desses profissionais.
O gargalo das “vagas de entrada”
A razão para esse fenômeno reside na natureza das tarefas executadas por quem está começando. A IA generativa demonstra alta eficiência em funções administrativas, de apoio e serviços básicos — justamente o “degrau inicial” para recém-formados. Segundo Duque, enquanto trabalhadores mais experientes ocupam cargos de tomada de decisão, os mais jovens realizam tarefas burocráticas que a IA executa de forma mais rápida e barata.
O estudo indica que cerca de 30 milhões de brasileiros estão em ocupações expostas à tecnologia, o que representa quase 30% da população ocupada. Deste montante, mais de 5 milhões enfrentam um nível de exposição elevado, concentrados especialmente nos setores de serviços financeiros e comunicação.
Reflexos de longo prazo
Especialistas alertam que o problema vai além do desemprego imediato. O economista Bruno Imaizumi, da consultoria 4intelligence, reforça que a automação de rotinas repetitivas é uma tendência global, já consolidada em mercados como o norte-americano. O risco para o Brasil é uma geração que inicia a carreira com salários menores e menos acúmulo de experiência prática, o que pode comprometer a produtividade e a capacidade de poupança das futuras lideranças do país.







