Israel aprova pena de morte para palestinos condenados por ataques letais; lei é alvo de petição na Suprema Corte

Israel aprova pena de morte para palestinos por ataques letais
Israel aprova pena de morte para palestinos por ataques letais

Israel aprova pena de morte para palestinos condenados por ataques letais; lei é alvo de petição na Suprema Corte

Parlamento israelense aprovou a medida por 62 votos a 47; sentença passará a ser padrão em tribunais militares para casos classificados como terrorismo; grupos de direitos humanos reagem com indignação


O Parlamento israelense, conhecido como Knesset, aprovou nesta segunda-feira (30) uma lei que estabelece a pena de morte como sentença padrão para palestinos condenados por ataques letais classificados como atos de terrorismo. A decisão, aprovada por 62 votos a favor e 48 contrários, representa uma das principais bandeiras da ala de extrema direita do governo israelense e conta com o respaldo do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, que votou favoravelmente à medida.

A legislação, que se aplicará aos julgamentos conduzidos em tribunais militares, foi fortemente impulsionada pelo ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben Gvir, figura de destaque do campo ultranacionalista israelense e um dos principais defensores do endurecimento das penas para palestinos.

Reação imediata de grupos de direitos humanos

A aprovação da lei gerou reação rápida e contundente de organizações de defesa dos direitos humanos tanto dentro de Israel quanto na Europa. A Associação para os Direitos Civis em Israel anunciou que entrou com uma petição na Suprema Corte do país exigindo a anulação da legislação ainda no mesmo dia de sua promulgação.

A Autoridade Palestina também se manifestou com dureza, afirmando que a lei “busca legitimar execuções extrajudiciais” — leitura que ecoa a preocupação de organizações internacionais sobre o impacto da medida no já fragilizado contexto do conflito entre israelenses e palestinos.

Contexto de acúmulo de tensões

A aprovação da pena de morte se soma a um histórico recente de episódios polêmicos envolvendo as forças de segurança israelenses. No início do mês, o Exército israelense retirou as acusações contra cinco soldados investigados por abuso sexual contra um detento palestino — um caso que havia dividido profundamente a sociedade israelense desde as prisões ocorridas em julho de 2024.

O episódio havia ocorrido na prisão militar de Sde Teiman, instalação criada após os ataques de 7 de outubro de 2023 para abrigar palestinos detidos em Gaza. A unidade rapidamente ganhou notoriedade internacional por relatos de tortura e maus-tratos, reforçados pela divulgação de um vídeo que mostrava soldados cometendo abuso sexual contra um prisioneiro. O caso gerou protestos violentos de ultranacionalistas, que chegaram a invadir a prisão em defesa dos soldados acusados.

O conjunto de decisões recentes reacende o debate global sobre os limites do direito internacional humanitário e os padrões de justiça aplicados no conflito israelense-palestino.

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