Justiça de Goiás obriga filhos a pagarem pensão alimentícia para mãe idosa com Alzheimer
Em uma decisão fundamentada no princípio da solidariedade familiar e no Estatuto do Idoso, a Justiça de Goiás determinou que os filhos de uma idosa diagnosticada com a doença de Alzheimer arquem com o pagamento de pensão alimentícia mensal. A medida visa garantir a subsistência e a dignidade da mulher, que necessita de cuidados intensivos e medicamentos de alto custo para o tratamento de sua condição neurodegenerativa.
A Obrigação Alimentar Inversa e o Amparo Legal
Diferente do que é comumente visto — pais pagando pensão a filhos —, este caso trata da chamada “obrigação alimentar inversa”. De acordo com o Código Civil brasileiro e o Estatuto do Idoso, o dever de sustento é recíproco. Quando os pais atingem a velhice e não possuem recursos próprios suficientes para prover sua saúde e alimentação, os filhos têm a obrigação legal de prestar assistência financeira.
No caso em tela, a defesa da idosa comprovou que sua aposentadoria era insuficiente para cobrir as despesas com cuidadores 24 horas, fraldas, alimentação especial e remédios. A magistrada responsável pela decisão enfatizou que a responsabilidade não é apenas moral, mas jurídica, e que o abandono material de pais idosos pode gerar sanções cíveis e até criminais.
Solidariedade Familiar e Capacidade Financeira
A decisão judicial estabeleceu que o valor da pensão deve ser dividido entre os filhos de forma proporcional às suas respectivas capacidades financeiras. O Judiciário entende que, embora todos os filhos tenham o dever de ajudar, o cálculo deve respeitar o binômio “necessidade de quem recebe versus possibilidade de quem paga”. Assim, o filho com maior renda contribui com uma fatia maior do montante total estipulado para o cuidado da mãe.
O processo destacou ainda que a doença de Alzheimer impõe uma carga financeira e emocional elevada, tornando impossível a sobrevivência da idosa sem o suporte direto de seus descendentes. A sentença reforça que a família é a primeira rede de proteção do indivíduo, devendo o Estado intervir quando essa rede falha em cumprir seu papel assistencial básico.
Impacto Social e Precedentes Jurídicos
Decisões como esta em Goiás têm se tornado mais frequentes devido ao envelhecimento da população brasileira e ao aumento de casos de doenças degenerativas. Especialistas em Direito de Família apontam que o Judiciário está sendo cada vez mais rigoroso com o descaso de filhos em relação aos pais idosos, combatendo o chamado “abandono afetivo e material”.
A sentença serve como um alerta para a sociedade sobre as responsabilidades legais que os filhos detêm ao longo da vida dos pais. Além do suporte financeiro, a justiça também pode ser acionada para garantir que o idoso receba visitas e cuidados básicos de saúde, assegurando que o final da vida seja vivido com o mínimo de conforto e respeito.







