Justiça por Orelha: Polícia Civil Abre Operação Contra Famílias de Adolescentes que Torturaram Cão em Florianópolis
O caso do cão comunitário Orelha, brutalmente agredido na Praia Brava, uma das regiões mais nobres de Florianópolis, ganhou novos e graves contornos jurídicos nesta segunda-feira (26). Além dos quatro adolescentes identificados como autores das agressões, a Polícia Civil agora investiga três adultos — familiares dos jovens — suspeitos de coação no curso do processo.
Entenda a Operação e as Suspeitas de Coação
A Delegacia de Proteção Animal cumpriu três mandados de busca e apreensão. O foco da nova fase da investigação é apurar se os responsáveis pelos adolescentes usaram de violência ou graves ameaças para silenciar testemunhas. Entre os pontos mais sensíveis está a denúncia de que um policial civil, pai de um dos envolvidos, teria usado uma arma para ameaçar quem pretendia depor.
Embora a arma mencionada não tenha sido localizada, os agentes encontraram drogas na casa de um dos alvos. Dispositivos eletrônicos foram apreendidos para perícia. Dois dos adolescentes envolvidos já foram localizados; os outros dois estão em uma viagem pré-agendada aos Estados Unidos.
O Crime contra Orelha
Orelha era um cão idoso, de aproximadamente 10 anos, dócil e muito querido pelos moradores da Praia Brava. Ele desapareceu no dia 16 de janeiro e foi encontrado dias depois em estado de agonia. O animal apresentava sinais nítidos de tortura e, devido à gravidade irreversível das lesões, precisou ser submetido à eutanásia.
A morte do mascote gerou uma onda de indignação e mobilizou ONGs e institutos de proteção animal em todo o estado. “Orelha era um símbolo da Praia Brava. Todos cuidavam dele. O que fizeram foi uma crueldade sem limites”, desabafou um morador local.
Entenda o Crime de Coação
A investigação contra os adultos baseia-se no Artigo 344 do Código Penal, que visa proteger a integridade do sistema de justiça.
Art. 344: Usar de violência ou grave ameaça contra autoridade, testemunha ou qualquer pessoa chamada a intervir em processo, com o fim de favorecer interesse próprio ou alheio. Pena: 1 a 4 anos de reclusão, além da pena correspondente à violência.







