Crise no Irã: Relatório aponta que número de mortos em protestos pode ultrapassar 16.500
Um relatório publicado pelo jornal britânico The Sunday Times neste domingo (18) indica que a repressão estatal aos protestos no Irã atingiu níveis sem precedentes, com o número de mortos podendo variar entre 16.500 e 18.000 pessoas. Os dados, embora não verificados de forma independente por agências internacionais devido ao “apagão digital” imposto pelo regime, baseiam-se em relatos médicos de 24 unidades de saúde em todo o país.
A Brutalidade da Repressão e o Perfil das Vítimas
O documento descreve o que classifica como a “repressão mais brutal do regime clerical em 47 anos”. Segundo as informações compartilhadas por profissionais de saúde, a maioria das vítimas fatais e dos feridos tem menos de 30 anos. Além dos óbitos, estima-se que entre 330 mil e 360 mil pessoas ficaram feridas desde o início das manifestações.
Um dado alarmante refere-se à gravidade das lesões: o relatório documenta que pelo menos 700 a 1.000 pessoas perderam um olho devido à ação das forças de segurança. Somente na Clínica Noor, em Teerã, foram registradas 7 mil lesões oculares.
Conflito de Dados e Bloqueio de Informação
A real dimensão da tragédia é dificultada pelo bloqueio de internet e telecomunicações que já dura dez dias no Irã. Analistas internacionais pedem cautela, uma vez que há divergências significativas entre as fontes:
Sunday Times: 16.500 a 18.000 mortos (dados de fontes médicas locais).
Autoridades Iranianas: Admitiram que o número ultrapassa 5.000 mortos, incluindo agentes do regime.
HRANA (Direitos Humanos): Confirma mais de 3.000 mortes verificadas.
O analista Américo Martins, da CNN Brasil, ressalta que o isolamento digital promovido pela ditadura visa justamente impedir a tabulação precisa das vítimas e dificultar a organização dos manifestantes.
Crise Hospitalar e Falta de Suprimentos
A reportagem do Sunday Times também revela uma crise humanitária dentro dos hospitais. Muitas mortes estariam ocorrendo por escassez de bolsas de sangue. Relatos indicam que equipes médicas doaram o próprio sangue para tentar salvar pacientes, mas, em casos extremos, agentes do regime teriam proibido transfusões de sangue para manifestantes feridos.
O líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, reconheceu publicamente no sábado (17) que milhares de iranianos foram mortos durante as últimas duas semanas de confrontos.







