Rogério Marinho classifica ida de Bolsonaro para a Papudinha como “justiçamento” e “arbítrio”
O senador Rogério Marinho (PL-RN), líder da oposição no Senado, emitiu uma nota contundente nesta quinta-feira (15) em resposta à decisão do ministro Alexandre de Moraes de transferir o ex-presidente Jair Bolsonaro para o Complexo da Papuda. No documento, Marinho afirma que o processo contra o ex-mandatário abandonou a esfera jurídica para se tornar uma perseguição política, utilizando o termo “justiçamento” para descrever a condução do caso pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
O parlamentar argumenta que garantias fundamentais, como o devido processo legal e a ampla defesa, foram ignoradas. Marinho também traçou um paralelo crítico com a segurança pública, afirmando que criminosos condenados por crimes violentos, como traficantes e assassinos, recebem do Estado um tratamento mais humano do que o dispensado a Bolsonaro, a quem ele descreve como preso por um “crime impossível”.
Alerta sobre a Saúde e Responsabilidade Judicial
Um dos pontos centrais da crítica de Marinho foca na saúde do ex-presidente. O senador destaca que, dada a idade avançada (70 anos) e as diversas comorbidades decorrentes da facada sofrida em 2018, a transferência para uma unidade penitenciária — ainda que em ala especial — é inadequada. Ele defende que a medida correta, sob o ponto de vista humanitário e legal, seria a prisão domiciliar ou, no máximo, uma prisão militar em unidade das Forças Armadas, dado o posto de capitão da reserva de Bolsonaro.
Ao final da nota, Rogério Marinho lançou um alerta direto ao Judiciário, responsabilizando o ministro Moraes e a Justiça por qualquer dano à integridade física do ex-presidente, citando como precedente o caso de Cleriston da Cunha, o “Clezão”, que faleceu no sistema prisional após o 8 de janeiro.
Veja a nota
NOTA PÚBLICA
O que se faz contra o presidente Jair Bolsonaro não é justiça. É justiçamento.
O ministro Alexandre de Moraes ignorou desde o início do processo garantias básicas: juiz natural, devido processo legal, contraditório e ampla defesa. A transferência para a Papudinha escancara o abuso: traficantes e assassinos recebem tratamento mais humano do Estado do que um homem preso por crime impossível.
Por mais que a nova prisão seja mais ampla que a atual, com idade e comorbidades que tem, Bolsonaro deveria estar em prisão domiciliar. Como capitão da reserva, no limite, em prisão militar. Se essa condução arbitrária continuar, qualquer dano a Bolsonaro, a exemplo do que houve com Clezão, será responsabilidade direta da Justiça.
Isso não é justiça. É arbítrio.
Brasília, 15 de janeiro de 2026.
Rogério Marinho







