Contraste Climático: Comitiva da Venezuela Chega à COP30 em Belém a Bordo do Avião Mais Poluente do Evento
A participação da Venezuela na COP30, em Belém, chamou a atenção por um motivo paradoxal em uma conferência climática: o uso do Airbus A340-600, uma aeronave de quatro motores conhecida pelo seu alto consumo de combustível e ineficiência operacional. O avião da companhia aérea estatal Conviasa é, segundo plataformas de planejamento de voo, o de maior consumo entre as comitivas presentes no evento.
A escolha da aeronave para o voo entre Caracas e Belém, uma rota relativamente curta, é controversa. O A340-600 consumiu cerca de 27 toneladas de combustível para o trecho de 3 horas e 15 minutos. Em comparação, o jato presidencial venezuelano ACJ319 consumiria apenas 8,7 toneladas.
Ineficiência em Números
Ao analisar o consumo por passageiro (em configuração comercial máxima), a diferença é gritante:
- Airbus A340-600 (Venezuela): 86 kg de querosene de aviação por passageiro.
- Airbus A319 (Comparação): 62 kg de querosene por passageiro.
O consumo do A340-600 chega a ser quase o dobro (0,07 kg por milha náutica/assento) do Boeing 737-700 do governo holandês (0,04 kg/nm/assento), um avião moderno.
Aeronave Obsoleta
A ineficiência do A340-600 é o motivo pelo qual ele está sendo gradualmente retirado de serviço globalmente. A aeronave é significativamente menos econômica do que os modernos bimotores (como Boeing 777 e Airbus A350), que chegam a ser 30% mais eficientes em consumo e emissão de gases. Atualmente, apenas a Conviasa, a Mahan Air (Irã) e a Lufthansa (que já anunciou sua aposentadoria) operam este modelo para voos de passageiros.
A comitiva venezuelana também enfrentou restrições de rota, sendo obrigada a entrar no espaço aéreo brasileiro por Roraima, já que as Guianas e o Suriname não autorizaram voos da aeronave estatal. O incidente coloca a Venezuela em evidência na COP30 não apenas por sua política ambiental, mas também pela contradição logística de sua chegada.







