Caso Inhumas: Meninos Trocados em Maternidade são “Destrocados” Após Quase Quatro Anos
Após uma longa jornada judicial e emocional, os dois meninos trocados acidentalmente em uma maternidade de Inhumas, na Região Metropolitana de Goiânia, foram formalmente “destrocados”. O caso, que veio à tona nesta quarta-feira (8), culmina na decisão judicial que define um novo regime de convivência para as crianças, que nasceram em dezembro de 2021.
O caso foi descoberto há cerca de um ano, quando Cláudio Alves, um dos genitores, solicitou um exame de DNA após a separação de sua então esposa, Yasmin Kessia da Silva. O teste, realizado em 31 de outubro de 2024, mostrou que a criança não era filho biológico de Cláudio. Intrigada, Yasmin Kessia também realizou uma contraprova, que confirmou a incompatibilidade do menino com ambos os pais.
“Se ele não fosse filho do Cláudio, também não era meu”, relatou Yasmin Kessia.
A Troca no Berçário e a Decisão Judicial
A troca ocorreu em dezembro de 2021 na maternidade de Inhumas. As crianças nasceram com apenas cinco minutos de diferença, em um período em que os pais não puderam acompanhar o berçário devido às restrições da pandemia de Covid-19.
Após descobrirem a troca, Cláudio e Yasmin procuraram o outro casal que havia tido um bebê no mesmo horário e local: Isamara Cristina Mendanha e Guilherme Luiz de Souza. Testes de DNA confirmaram a troca. Uma investigação da Polícia Civil apontou que uma técnica de enfermagem confundiu as crianças no momento da entrega, mas concluiu que não houve crime, pois os bebês portavam as pulseiras de identificação, e o inquérito foi arquivado.
As duas famílias se uniram em dezembro passado e iniciaram um processo de aproximação gradual das crianças. A Justiça de Goiás homologou o acordo de convivência nesta semana, estabelecendo a seguinte dinâmica:
- Durante a semana: As crianças ficam com seus pais biológicos.
- Finais de semana (alternados): As crianças alternarão a convivência, dedicando tempo aos pais biológicos e aos pais socioafetivos (aqueles que as criaram por quase quatro anos).
As certidões de nascimento foram alteradas, e cada criança passa a ter dois pais e duas mães legalmente reconhecidos, formalizando os laços biológicos e socioafetivos construídos ao longo dos anos.







