Fraudes no INSS: PF Lança Nova Etapa da Operação ‘Sem Desconto’ com 66 Mandados

Fraudes INSS: PF cumpre 66 mandados e mira lavagem de dinheiro
Fraudes INSS: PF cumpre 66 mandados e mira lavagem de dinheiro

Fraudes no INSS: PF Lança Nova Etapa da Operação ‘Sem Desconto’ com 66 Mandados

 


A Polícia Federal (PF) iniciou, na manhã desta quinta-feira (9), a segunda fase da Operação ‘Sem Desconto’, focada em aprofundar a investigação de um amplo esquema de fraudes e descontos indevidos em aposentadorias e benefícios do INSS. A ação está cumprindo 66 mandados de busca e apreensão, expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF), em oito estados e no Distrito Federal.

O objetivo desta nova fase é “aprofundar as investigações e esclarecer a prática de crimes como inserção de dados falsos em sistemas oficiais, constituição de organização criminosa e atos de ocultação e dilapidação patrimonial”.

 

Abrangência e Foco da Nova Etapa

 

Os mandados de busca e apreensão estão sendo cumpridos nas seguintes localidades, com destaque para a concentração em São Paulo:

  • São Paulo: 45 mandados
  • Sergipe: 12 mandados
  • Demais localidades: Amazonas (1), Rio Grande do Norte (1), Santa Catarina (2), Pernambuco (2), Bahia (2) e Distrito Federal (1).

A investigação agora concentra esforços em três empresas que seriam responsáveis pela estrutura de lavagem de dinheiro do esquema. Os crimes sob apuração incluem estelionato qualificado, peculato, corrupção ativa, uso de documento falso, lavagem de capitais e organização criminosa.

 

O Esquema e as Prisões da Primeira Fase

 

A primeira fase da operação, realizada em 12 de setembro, resultou nas prisões preventivas de Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como o “Careca do INSS”, apontado como lobista e “facilitador” do esquema, e do empresário Maurício Camisotti, suspeito de ser sócio oculto de uma entidade beneficiada pelas fraudes.

A PF revelou que o esquema consistia na criação de associações e entidades de fachada que usavam assinaturas falsas e obtinham dados de beneficiários do INSS (por meio de propinas a servidores) para cadastrá-los sem autorização. Assim, descontavam mensalidades diretamente nas folhas de pagamento de idosos e aposentados que, muitas vezes, nem sabiam estar filiados.

O prejuízo estimado pela PF, referente ao período entre 2019 e 2024, pode chegar a R$ 6,3 bilhões.

Na primeira fase, foram apreendidos carros de luxo (incluindo Ferrari, Porsche e Mercedes), obras de arte e outros bens que indicam a dilapidação patrimonial, o que levou a PF a investigar a fundo a lavagem de dinheiro.

 

Posição das Defesas

 

  • Maurício Camisotti: Sua defesa reiterou que não há justificativa para a prisão e alegou arbitrariedade policial, afirmando que o empresário teve o celular tomado enquanto falava com seu advogado, o que afrontaria garantias constitucionais.
  • Nelson Wilians: O advogado, que também foi alvo de busca e apreensão (tendo obras de arte localizadas em seu escritório e residência), esclareceu em nota que sua relação com um dos investigados era estritamente profissional e legal. Ele afirmou que os valores transferidos se referem à aquisição lícita de um terreno e reiterou sua colaboração com as autoridades.
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