Vorcaro completa 15 dias preso na PF e negocia delação que aponta para políticos e membros do Judiciário

Vorcaro completa 15 dias preso e negocia delação com políticos
Vorcaro completa 15 dias preso e negocia delação com políticos

Vorcaro completa 15 dias preso na PF e negocia delação que aponta para políticos e membros do Judiciário

Ex-banqueiro do Banco Master assinou termo de confidencialidade com a PGR e a PF; patrimônio estimado em mais de R$ 10 bilhões e prazo de até 60 dias para fechar acordo


O ex-banqueiro Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, completa 15 dias detido na Superintendência da Polícia Federal em Brasília. Preso desde 4 de março, ele ocupa atualmente uma sala já utilizada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro — mudança que integra as tratativas para um acordo de delação premiada conduzido sob relatoria do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).

A possível colaboração de Vorcaro com a Justiça gera apreensão nos bastidores políticos brasileiros. Pela amplitude de suas conexões — que atravessam da esquerda à direita, passando pelo centro —, sua delação tem o potencial de atingir figuras de diferentes esferas do poder, incluindo políticos, autoridades do Banco Central, parlamentares e membros do Judiciário.

No dia 19 de março, o ex-banqueiro assinou um termo de confidencialidade com a Procuradoria-Geral da República (PGR) e com a PF, sinalizando disposição para uma colaboração ampla, sem restrições, acompanhada de nomes, documentos e provas. A defesa trabalha com um prazo de até 60 dias para formalizar o acordo.

O caso Banco Master

O Banco Master cresceu rapidamente na última década ao oferecer CDBs com juros acima do mercado, chegando a captar cerca de R$ 50 bilhões de investidores. Parte relevante desses recursos era aplicada em ativos de baixa liquidez, como precatórios e empresas em dificuldades financeiras — prática que elevava o risco da operação.

A Polícia Federal identificou indícios de um esquema estruturado de fraudes, incluindo emissão de títulos sem lastro, operações simuladas e ocultação de recursos por meio de empresas intermediárias. Em novembro de 2025, o Banco Central decretou a liquidação da instituição. No mesmo mês, Vorcaro foi preso ao tentar embarcar em um jato particular no Aeroporto de Guarulhos com destino a Dubai. Solto com tornozeleira eletrônica, foi preso novamente em março de 2026 durante nova fase das investigações.

As apurações evoluíram para apontar corrupção de autoridades, lavagem de dinheiro, invasão de sistemas e supostos planos de intimidação contra jornalistas.

Motivação financeira e condições para o acordo

A pressa de Vorcaro para fechar a delação tem motivação patrimonial clara. O ex-banqueiro teme perder o controle sobre um patrimônio estimado em mais de R$ 10 bilhões, distribuído em fundos no Brasil e no exterior. Entre os valores sob investigação estão uma fraude estimada em R$ 12,2 bilhões relacionada à venda de carteiras de crédito ao Banco de Brasília (BRB), além de aportes irregulares de fundos de pensão estaduais e municipais.

O liquidante responsável pelos ativos do Banco Master, Eduardo Bianchini, estima que ao menos R$ 4,8 bilhões em recursos ligados a Vorcaro já teriam sido desviados antes da liquidação. Investigadores indicam que a devolução de parte significativa desses valores deve ser condição essencial para o avanço do acordo.

Autoridades ressaltam, no entanto, que a palavra do delator por si só não sustenta acusações — as informações precisam ser acompanhadas de provas concretas e verificáveis, cuja validação cabe à PF e ao Ministério Público.

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