Violência em Bruxelas: Manifestantes atacam polícia durante protesto contra o acordo Mercosul-União Europeia
A capital da Bélgica e sede administrativa da União Europeia, Bruxelas, viveu momentos de tensão extrema nesta quinta-feira (18). O que deveria ser uma manifestação de agricultores contra a ratificação do tratado de livre comércio com o Mercosul escalou para um confronto direto, com manifestantes utilizando bombas e objetos contundentes contra as forças de segurança.
A mobilização, que reuniu milhares de produtores rurais e centenas de tratores no Quarteirão Norte da cidade, reflete a resistência histórica do setor agrário europeu — liderado principalmente por franceses e belgas. Os manifestantes alegam que o acordo representa uma ameaça existencial à agricultura familiar europeia, citando “concorrência desleal” de países sul-americanos com padrões ambientais e sanitários supostamente menos rigorosos.
A escalada da violência ocorre em um momento diplomático sensível. Enquanto líderes do Mercosul buscam finalizar os termos do pacto, que se arrasta há mais de 25 anos, a pressão das ruas na Europa tenta desestabilizar o apoio político à proposta. Em resposta aos ataques, a polícia belga utilizou canhões de água e gás lacrimogêneo para dispersar os focos de conflito próximo à sede da UE.
O cenário em Bruxelas demonstra que o acordo Mercosul-UE transcende a esfera econômica e se tornou um campo de batalha ideológico e político. A violência nas ruas é o reflexo de um setor rural que se sente negligenciado pelas políticas verdes do bloco europeu e vê no comércio internacional o “bode expiatório” para crises estruturais internas. Para o Brasil e seus vizinhos, o desafio será manter a coesão diplomática diante de uma Europa cada vez mais fragmentada por pressões protecionistas.







