Protecionismo Americano: Tarifaço de Trump Continua e Freia Exportação de Ovos do Brasil para os EUA
O cenário do comércio global de proteína animal registra uma reviravolta significativa, impactando diretamente o agronegócio brasileiro. A manutenção do “tarifazo” imposto pelo governo dos Estados Unidos (EUA) sobre os ovos do Brasil interrompeu bruscamente o crescimento vertiginoso das vendas para o mercado norte-americano, que havia atingido níveis históricos no primeiro semestre de 2025. A medida protecionista, que soma 50% de taxação, surge como um obstáculo concreto à expansão da avicultura nacional.
O Fim de um Boom Impulsionado pela Crise Sanitária
O mercado de ovos brasileiro viveu uma “fase de festa” no início de 2025, com as exportações para os EUA disparando em mais de 1.000% no acumulado do ano. Esse crescimento extraordinário foi reflexo direto da severa crise de oferta enfrentada pelos americanos, cuja produção foi dizimada pela gripe aviária. A escassez levou o preço da dúzia de ovos nos EUA a atingir picos de mais de US$ 6,20, abrindo uma janela de oportunidade única para o produto brasileiro, mesmo com os custos de adaptação sanitária e logística.
O Efeito Devastador da Tarifa de 50%
A decisão de Washington em manter a tarifa de 50% sobre os ovos do Brasil teve um efeito imediato e devastador sobre o fluxo comercial. Em termos práticos, o volume de exportações que superava as 5 mil toneladas em meses de pico, despencou para cerca de 41 toneladas em outubro, mostrando que a tarifa se tornou uma barreira comercial quase intransponível. A medida, vista como uma proteção ao produtor doméstico americano, freou de maneira brusca a consolidação do Brasil como fornecedor regular dos EUA.
Resiliência e Diversificação do Mercado
Apesar do revés no mercado americano, o balanço final de 2025 para o setor de ovos brasileiro ainda é positivo, sustentado pelo boom dos primeiros meses e pela resiliência do agronegócio. O setor tem demonstrado capacidade de diversificação, redirecionando o fluxo de vendas para mercados alternativos. Países da Ásia, como o Japão, e do Oriente Médio, como os Emirados Árabes Unidos, além do México e Chile, voltaram a ganhar protagonismo como destinos, garantindo que o Brasil encerre o ano com alta histórica nas exportações totais de proteína avícola.







