STJ afasta governador do Tocantins por suspeita de fraudes em contratos de cestas básicas

STJ afasta governador do Tocantins por suspeita de fraudes em contratos de cestas básicas
Bruno Spada/Câmara dos Deputados

O governador do Tocantins, Wanderley Barbosa (Republicanos), foi afastado do cargo por decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ). O afastamento, que terá duração de seis meses, ocorre no âmbito das investigações da Operação Fames-19, que apura desvios de recursos destinados à compra de cestas básicas durante a pandemia de covid-19.

Barbosa está no comando do Executivo estadual desde outubro de 2021, após a saída de Mauro Carlesse, que também havia sido afastado pelo STJ por envolvimento em outro esquema de corrupção e acabou renunciando em março de 2022.

Operação Fames-19

Na manhã desta quarta-feira (3), a Polícia Federal deflagrou a segunda fase da operação. Mais de 200 agentes cumprem 51 mandados de busca e apreensão em Palmas, Araguaína, Imperatriz (MA), João Pessoa (PB) e no Distrito Federal.

De acordo com as investigações, entre 2020 e 2021 foram firmados contratos que somaram R$ 97 milhões para fornecimento de cestas básicas e frangos congelados. A suspeita é de que ao menos R$ 73 milhões tenham sido desviados e ocultados por meio da compra de gado, imóveis de luxo e despesas pessoais de envolvidos.

Defesa de Barbosa

O governador afastado voltou a alegar que, à época dos contratos, ainda era vice-governador e não tinha responsabilidade sobre as despesas. Em nota, classificou a decisão como precipitada e afirmou ter determinado auditoria nos contratos suspeitos, cujos resultados teriam sido encaminhados aos órgãos competentes.

Barbosa disse ainda que irá recorrer da decisão para reassumir o cargo.

“Vou adotar todas as medidas jurídicas para comprovar a legalidade dos meus atos, assegurar a estabilidade do Estado e a continuidade dos serviços públicos”, declarou.

Próximos passos

 

As investigações seguem sob sigilo no STJ, que é a instância responsável por analisar casos envolvendo governadores. Até o momento, o governo do Tocantins não se manifestou oficialmente sobre o afastamento e as acusações.

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