Dia dos Professores: Especialistas Alertam que Educação Infantil, o “Trabalho Mais Importante”, é Desvalorizada
Em comemoração ao Dia dos Professores (15 de Outubro), o debate sobre a desvalorização dos educadores que trabalham na primeira infância ganha urgência. Dana McCoy, professora de Harvard e co-presidente do Programa de Desenvolvimento Humano e Educação (HDE), afirmou que os professores de creches (0 a 3 anos) e pré-escolas (4 e 5 anos) realizam o “trabalho mais importante de toda a sociedade”, mas continuam sendo os mais desvalorizados.
McCoy defende que é nessa fase que se desenvolvem as bases cognitivas e emocionais essenciais, sendo um pilar fundamental para o futuro econômico e a inovação de qualquer país.
“Fazem o trabalho mais importante de toda a sociedade. O futuro econômico e a capacidade de inovação nascem nas creches e pré-escolas, porque é lá que as habilidades fundamentais serão desenvolvidas,” disse a pesquisadora.
O Preço da Desvalorização no Brasil
A desvalorização da categoria se manifesta em salários baixos, falta de estrutura e uma fragilidade histórica ligada à dimensão de gênero, já que mais de 94% dos professores dessa etapa são mulheres.
Elisangela Lima, professora em uma creche pública de São Paulo, ilustra a frustração: “A maioria das pessoas acha que é só cuidar e brincar. E não é assim — exige formação e planejamento. Estamos formando cidadãos.”
Impacto Crucial na Criança e na Sociedade
Os investimentos na primeira infância trazem o maior retorno social e econômico, pois essa etapa é decisiva para o aprimoramento do sistema neurológico.
- Redução de Violência: O acesso à educação de qualidade na primeira infância reduz em 65% o risco de crimes violentos no futuro.
- Emprego e Renda: Diminui em 20% a probabilidade de um indivíduo não ter emprego, combatendo as disparidades socioeconômicas.
- Função de Apoio: Em contextos de vulnerabilidade, o professor frequentemente assume o papel de cuidador afetivo e fonte de alimentação, protegendo a criança de impactos negativos vividos em casa.
Dana McCoy sugere que é um ciclo vicioso: a carreira pouco atrativa leva a uma formação mais frágil, e a falta de professores bem preparados compromete a qualidade da educação oferecida, especialmente nas regiões mais vulneráveis.







