Pesquisa: 60% dos Motoristas por Aplicativo Rejeitam Vínculo Empregatício CLT

60% dos motoristas por aplicativo rejeitam CLT, diz pesquisa Datafolha/Uber
60% dos motoristas por aplicativo rejeitam CLT, diz pesquisa Datafolha/Uber

Pesquisa: 60% dos Motoristas por Aplicativo Rejeitam Vínculo Empregatício CLT

 

Um levantamento recente divulgado nesta quinta-feira (30/10), aponta que a maioria dos motoristas que trabalham com aplicativos rejeita a formalização do vínculo empregatício via Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). O levantamento, que ouviu 1.800 motoristas com cadastro ativo na Uber, revela que o valor da flexibilidade e autonomia é o principal fator nessa rejeição.

 

Rejeição ao Vínculo e Preferência por Flexibilidade

 

Modalidade de VínculoRejeição Total
Vínculo Empregatício (CLT)60% rejeitam
Emprego Intermitente (CLT)66% rejeitam
  • Aceitação por Salário: Quando questionados sobre aceitar um emprego CLT em tempo integral ganhando o mesmo valor líquido atual, 54% dos motoristas disseram que não. Apenas 6 em cada 10 aceitariam a CLT se o salário líquido fosse de até quatro salários mínimos (em média, R$ 5.874 líquidos).

O diretor de Políticas Públicas da Uber, Ricardo Leite Ribeiro, destacou que os dados mostram que qualquer mudança regulatória deve ser cautelosa para não comprometer a flexibilidade valorizada pelos motoristas.

 

Perfil do Trabalhador e Motivações

 

Embora a flexibilidade seja um valor, a pesquisa mostra que a atividade é majoritariamente utilizada como fonte essencial de renda:

  • Principal Fonte de Renda: 55% dos trabalhadores têm nos aplicativos sua maior fonte de renda.
  • Jornada: 21% precisam trabalhar mais de 40 horas semanais, e 52% atuam com mais de um aplicativo.
  • Motivações: A necessidade de renda é o principal motor:
    • Ganhar renda extra (79%).
    • Manter renda regular (69%).
    • Pela flexibilidade e autonomia (84%).
    • Porque o custo de vida está aumentando (87%).

 

Regulamentação e Previdência Social

 

O debate sobre a regulamentação do trabalho por aplicativo está em pauta na Câmara, e os motoristas expressam expectativas claras sobre a necessidade de proteção social e garantias financeiras, sem perder a autonomia:

  • Piso de Ganhos Mínimos: 69% acreditam que a regulamentação deve estabelecer um piso de ganhos mínimos que garanta pelo menos um salário mínimo líquido após a dedução dos custos operacionais.
  • Seguridade Social (INSS): 76% defendem que as plataformas devem facilitar a inclusão na seguridade social (INSS), visando acesso a benefícios como auxílio-doença, pensão por morte e salário-maternidade.

Atualmente, 40% dos motoristas afirmaram não possuir cobertura pela previdência social ou planos privados. A principal razão para a não contribuição (32%) é o alto custo das mensalidades.

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