Motorista é denunciado por oito homicídios após tragédia na BR-153 em Campinorte

Motorista denunciado por 8 mortes na BR-153 Campinorte
Motorista denunciado por 8 mortes na BR-153 Campinorte

Motorista é denunciado por oito homicídios após tragédia na BR-153 em Campinorte


O Ministério Público de Goiás (MP-GO) apresentou denúncia contra José Júnior Fernandes Mota, de 46 anos, responsabilizado pelo acidente que vitimou fatalmente oito pessoas na BR-153, em Campinorte, região Norte do estado. A tragédia, ocorrida na noite de 20 de setembro deste ano, ceifou a vida de seis integrantes da mesma família, além de um casal que trafegava em motocicleta. O denunciado, que estava alcoolizado e conduzia em alta velocidade, fugiu do local sem prestar socorro, mas foi capturado horas depois pela Polícia Militar.

José Júnior responde agora por oito homicídios dolosos — quando há intenção de matar ou se assume o risco de produzir o resultado. A denúncia será encaminhada à Justiça para julgamento pelo Tribunal do Júri, onde um conselho popular decidirá sobre a culpabilidade do acusado.

Dinâmica do acidente e circunstâncias agravantes

Segundo informações da Polícia Rodoviária Federal (PRF), José Júnior conduzia uma caminhonete Toyota Hilux em velocidade incompatível com a via e sob efeito de álcool quando colidiu violentamente contra a traseira do veículo onde estava a família. O impacto foi tão intenso que o automóvil foi arremessado para a pista contrária, colidindo frontalmente contra uma carreta.

Antes de tombar, a carreta ainda atingiu uma motocicleta que trafegava pela rodovia, ampliando a dimensão da tragédia. O motorista do caminhão sofreu lesões leves e foi atendido no Hospital Municipal de Campinorte.

Após causar o acidente, José Júnior abandonou o local sem prestar qualquer tipo de assistência às vítimas. A caminhonete foi localizada escondida, e o teste do bafômetro aplicado após a prisão confirmou o estado de embriaguez do condutor.

Vítimas fatais: uma família destroçada

Entre os oito mortos, seis eram membros da mesma família. As vítimas foram identificadas como José Mário da Silva Souto, de 38 anos, e sua esposa, Dayane Pereira dos Santos, de 32 anos, além dos quatro filhos do casal: José Victor Souto, de 17 anos, Emanuela da Silva Souto, de 14, José Arthur da Silva Souto, de 10, e Théo Souto, de apenas 3 anos, que chegou a ser socorrido, mas não resistiu aos ferimentos.

Na motocicleta atingida pela carreta estavam Wellington Vieira Bruno, de 42 anos, e Rosemaria Ferreira Mendonça, que também morreram no local. O motorista da carreta teve ferimentos leves e foi encaminhado para atendimento médico.

Histórico criminal e reincidência

A denúncia do MP-GO revela que José Júnior possui histórico criminal e já havia se envolvido em outro acidente grave em 2018, conduzindo a mesma caminhonete Toyota Hilux. Na ocasião, ele dirigia sem habilitação, alcoolizado e em alta velocidade — características que se repetiram no acidente fatal de setembro.

Além disso, o denunciado responde a processos por homicídio qualificado e roubo majorado, sendo considerado reincidente em crimes dolosos. Esse histórico tende a agravar sua situação processual e pode influenciar na aplicação da pena, caso seja condenado.

Diferenças jurídicas entre homicídio doloso e culposo

A tipificação do crime como homicídio doloso representa um agravamento significativo em relação ao homicídio culposo no trânsito. Enquanto o homicídio culposo — sem intenção de matar — é regido pelo Código de Trânsito Brasileiro (CTB) e prevê penas mais brandas, o homicídio doloso segue o rito do Código Penal, com penas substancialmente maiores.

No caso de homicídio doloso, o acusado será julgado pelo Tribunal do Júri, composto por cidadãos comuns que avaliarão as provas e circunstâncias do crime. A condenação pode resultar em penas que variam de 6 a 20 anos de reclusão para cada homicídio, podendo ser aumentadas em razão de circunstâncias agravantes, como embriaguez ao volante, alta velocidade e fuga sem prestar socorro.

Posicionamento da defesa

Em nota oficial, a defesa de José Júnior informou que apresentará resposta à denúncia “no prazo legal”. Os advogados alegam que ainda não foram anexadas todas as provas e laudos periciais necessários à completa apuração das circunstâncias do acidente, argumentando pela necessidade de análise técnica aprofundada antes de qualquer conclusão definitiva sobre o caso.

Impacto social e apelo por rigor na Justiça

A tragédia comoveu a região Norte de Goiás e gerou comoção nacional pela gravidade do acidente e pelo fato de ter vitimado uma família inteira. O caso reacende o debate sobre o rigor das punições para condutores que dirigem embriagados e em alta velocidade, especialmente aqueles com histórico de reincidência.

A denúncia do MP-GO representa um passo importante no processo de responsabilização criminal, e a sociedade aguarda que a Justiça atue com rigor para que casos semelhantes sejam prevenidos no futuro.

Compartilhe este post :