Crise no Caribe: Entrada de Venezolanos no Brasil Dispara Coincidindo com Cerco Militar dos Estados Unidos

Entrada de venezuelanos no Brasil cresce com cerco no Caribe
Entrada de venezuelanos no Brasil cresce com cerco no Caribe

Crise no Caribe: Entrada de Venezolanos no Brasil Dispara Coincidindo com Cerco Militar dos Estados Unidos

 

O Brasil registrou um aumento significativo no fluxo migratório de venezuelanos nos últimos meses, coincidindo com o acirramento da crise regional e a intensificação da presença militar dos Estados Unidos no Caribe.

A administração Donald Trump iniciou há cerca de quatro meses uma mobilização militar na América Latina, a Operação Lança do Sul, alegando combate ao “narcoterrorismo” próximo à costa venezuelana.

O Salto nos Dados Migratórios

Os dados do Observatório de Migrações Internacionais (OBMigra), ligado ao Ministério da Justiça, mostram a escalada:

  • Quase 148 mil venezuelanos entraram no Brasil entre janeiro e setembro de 2025, com apenas 71.620 registros de saída.
  • Em agosto, mês em que o Pentágono enviou navios e cerca de 4 mil militares ao Caribe, o ingresso de venezuelanos disparou para 13.138 mil (o dobro da saída registrada).
  • Em setembro, após o primeiro bombardeio norte-americano contra uma embarcação na região, o número foi ainda maior: 18.525 mil ingressos, contra 8.268 saídas.

Além disso, os pedidos de refúgio realizados por venezuelanos atingiram a marca de 15.965 solicitações este ano, mantendo o país no topo do ranking de refugiados no Brasil.

Cerco Militar dos EUA

Washington alega que a mobilização, que inclui navios de guerra e caças F-35, visa combater o tráfico e cartéis que, sob a política externa de Trump, foram classificados como “organizações terroristas”. O Cartel venezuelano de Los Soles, que Trump acusa o presidente Nicolás Maduro de liderar, está entre os alvos.

Até o momento, 20 ataques foram realizados contra embarcações no Caribe e no Oceano Pacífico, sob a justificativa de ligação com o tráfico.

Situação em Roraima e Posição do Governo

Com mais de 2,1 mil km de fronteira com a Venezuela, Roraima continua sendo o principal destino, concentrando mais de 74 mil das entradas totais.

Apesar do aumento do fluxo, o Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) trata a situação com normalidade, afirmando que o crescimento é um “comportamento recorrente registrado desde pelo menos 2022,” sendo os meses de agosto a novembro o epicentro da vinda de pessoas da Venezuela para o Brasil.

Compartilhe este post :