Investigação em Copacabana: Ex-namorado de 17 anos é apontado como mentor de estupro coletivo
As investigações conduzidas pela 12ª DP da Polícia Civil do Rio de Janeiro revelaram detalhes estarrecedores sobre o estupro coletivo ocorrido em Copacabana no final de janeiro. O inquérito aponta que o crime não foi um ato isolado, mas uma emboscada meticulosamente planejada por um adolescente de 17 anos. Utilizando-se da relação de confiança que mantinha com a vítima por ser seu ex-namorado, o menor a atraiu para um apartamento na Rua Ministro Viveiros de Castro, onde a violência foi consumada.
A frieza do mentor intelectual chamou a atenção dos investigadores, que tiveram acesso a mensagens de aplicativos comprovando que o adolescente combinou a ação com outros quatro amigos, monitorando passo a passo o trajeto da jovem. Câmeras de segurança do edifício corroboram a tese de emboscada ao registrarem o momento em que os quatro adultos entram no imóvel logo após a chegada da vítima. Após o crime, o menor foi filmado realizando gestos interpretados como de comemoração, enquanto exames de corpo de delito confirmaram a gravidade das lesões físicas e a violência genital sofrida pela jovem, também de 17 anos.
O caso escancara o que especialistas chamam de “abismo jurídico” brasileiro devido à diferença de tratamento entre menores e maiores de idade. O mentor do crime responderá com base no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) pela prática de ato infracional, cujas medidas socioeducativas de internação são limitadas a um máximo de três anos. Em contrapartida, os quatro comparsas de 18 e 19 anos serão julgados pelo Código Penal. Para eles, as penas por estupro de vulnerável em concurso de pessoas podem variar de 10 a 20 anos de reclusão, considerando os agravantes da idade da vítima e da coletividade do ato.
Atualmente, os quatro adultos identificados como Bruno Felipe dos Santos Allegretti, Vitor Hugo Oliveira Simonin, Mattheus Verissimo Zoel Martins e João Gabriel Xavier Bertho são considerados foragidos da Justiça no âmbito da Operação “Não é Não”. As consequências do crime já transbordaram para a vida institucional dos envolvidos: o Colégio Pedro II iniciou o processo de desligamento dos estudantes e o Serrano Football Club suspendeu o contrato profissional do atleta João Gabriel.
A defesa de João Gabriel Bertho emitiu uma nota negando veementemente as acusações, sustentando que a relação teria sido consensual e que a vítima estaria ciente da presença dos demais rapazes no local. Entretanto, a Polícia Civil mantém a convicção sobre a ocorrência da emboscada, fundamentada tanto na análise das provas digitais quanto nos laudos periciais que atestam a violência sofrida pela adolescente.







