Goiânia: mãe e padrasto são presos suspeitos de matar bebê de 1 ano e 6 meses no Monte Carlo

Mãe e padrasto presos por morte de bebê em Goiânia
Mãe e padrasto presos por morte de bebê em Goiânia

Goiânia: mãe e padrasto são presos suspeitos de matar bebê de 1 ano e 6 meses no Monte Carlo

Um casal foi preso na manhã desta terça-feira (21/10) sob suspeita de ter causado a morte de uma bebê de um ano e seis meses, em Goiânia. A prisão ocorreu após uma tia da criança acionar o Corpo de Bombeiros ao encontrar a sobrinha desacordada e com diversos hematomas visíveis pelo corpo, na residência onde a vítima morava com a mãe e o padrasto, no Residencial Monte Carlo, região Oeste da capital.

Policiais militares também foram acionados e deram voz de prisão à mãe e ao padrasto da menina depois que os socorristas constataram múltiplos ferimentos e marcas que teriam sido provocadas por queimaduras de cigarro no rosto da criança. O caso chocou a comunidade local pela brutalidade dos ferimentos encontrados no corpo da bebê.

Tia encontra criança desacordada com hematomas

Segundo informações preliminares, a tia da bebê foi até a residência no Residencial Monte Carlo e encontrou a sobrinha desmaiada, apresentando diversos hematomas espalhados pelo corpo. Assustada com o estado da criança, ela imediatamente acionou o Corpo de Bombeiros, que enviou equipe de resgate ao local.

Ao chegarem à residência, os socorristas verificaram que a bebê não apresentava sinais vitais e constataram a presença de múltiplos ferimentos compatíveis com agressões físicas graves. Entre as lesões identificadas estavam hematomas em diferentes estágios de cicatrização, indicando agressões reiteradas, e marcas circulares no rosto que sugerem queimaduras provocadas por pontas de cigarro aceso.

Prisão em flagrante do casal

Diante das evidências de violência física grave contra a criança, policiais militares presentes no local deram voz de prisão em flagrante à mãe e ao padrasto da bebê. Ambos foram conduzidos à delegacia para prestar depoimento e responder formalmente pelas acusações.

A mãe da vítima e o companheiro devem responder por homicídio qualificado, tortura e maus-tratos contra vulnerável, crimes que preveem penas severas no Código Penal Brasileiro. A condição de vulnerabilidade extrema da vítima — uma bebê de apenas um ano e seis meses — e a crueldade dos atos configuram circunstâncias agravantes.

Padrasto monitorado por tornozeleira eletrônica

Informações obtidas junto a vizinhos revelam que o padrasto da bebê estava sendo monitorado por tornozeleira eletrônica, dispositivo utilizado pelo sistema prisional para acompanhamento de pessoas em liberdade condicional, regime semiaberto ou cumprindo medidas cautelares.

Moradores do Residencial Monte Carlo relataram já ter presenciado o homem agredindo a enteada em ocasiões anteriores, o que indica que a violência contra a criança não era um fato isolado, mas sim um padrão de conduta reiterada. Não há informações sobre se essas agressões foram formalmente denunciadas às autoridades antes da tragédia.

Histórico de violência doméstica não denunciado

O caso levanta questionamentos sobre a omissão de testemunhas que presenciaram agressões anteriores mas não acionaram as autoridades competentes. O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) estabelece que qualquer pessoa que tenha conhecimento ou suspeite de maus-tratos contra criança ou adolescente tem o dever legal de comunicar o fato ao Conselho Tutelar, à Polícia ou ao Ministério Público.

A denúncia de violência contra crianças pode ser feita de forma anônima através do Disque 100 (Disque Direitos Humanos), canal gratuito que funciona 24 horas por dia, todos os dias da semana. O sigilo da identidade do denunciante é garantido por lei.

Investigações e perícia

O corpo da bebê foi encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML) para realização de exame necroscópico que determinará a causa exata da morte e identificará todas as lesões sofridas pela criança. A perícia é fundamental para subsidiar a investigação policial e a futura ação penal contra os suspeitos.

A Polícia Civil, através da Delegacia Especializada no Atendimento à Criança e ao Adolescente (DEPCA), assumiu as investigações do caso. Depoimentos de familiares, vizinhos e outras testemunhas serão colhidos para reconstituir a dinâmica dos fatos e identificar possíveis omissões ou cumplicidades.

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