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Lula diz que é preciso ‘firmeza’ para defender independência, em meio a tarifaço e pressão dos EUA


Presidente Lula e presidente do Equador Daniel Noboa durante visita ao Planalto
Ricardo Stuckert/PR
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta segunda-feira (18), ao lado do presidente do Equador, Daniel Noboa, que o cenário global exige “firmeza” para garantir a soberania dos países, e que o Brasil deseja diversificar suas parcerias.
“Em um cenário global desafiador, em que rivalidade se agravam e que instituições multilaterais são esvaziadas, é preciso firmeza na defesa da nossa independência. Para o Brasil autonomia é um sinônimo de diversificação de parcerias”, afirmou Lula.
O presidente do Equador está em Brasília nesta segunda para uma visita oficial, e foi recebido por Lula no Palácio do Planalto.
A visita ocorre em meio aos esforços do governo brasileiro para reagir ao tarifaço imposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Desde 6 de agosto, uma série de produtos brasileiros estão sobretaxados em 50% para entrar nos EUA.
O presidente Lula, no entanto, não citou o governo norte-americano diretamente no discurso.
Lula e Putin conversam por telefone na manhã desta segunda (18)
Lula afirmou que o Brasil cumprirá uma decisão judicial para reabrir o mercado à banana produzida no Equador e que espera do Equador um movimento para compra de carne suína.
Reeleito neste ano, Noboa tem postura mais alinhada a Trump e um discurso de guerra contra o tráfico de drogas.
Ele afirmou que a questão de segurança no Equador é “problemática”, e que se trata de uma “luta que não se pode lutar sozinho”. Ao lado de Lula, ele afirmou que os dois países podem trabalhar juntos.
“As discussões ideológicas são página virada […], precisamos procurar entender quais são as prioridades da sociedade”, disse.
Lula concordou, e defendeu que diferenças políticas não podem ficar acima do desenvolvimento da América do Sul.
“Diferenças políticas não devem se sobrepor ao objetivo maior de construir uma região forte e próspera. América do Sul está em condições de liderar uma transição energética justa”, disse.
Regulação das big techs
Lula afirmou que Brasil e Equador podem trabalhar juntos no combate ao narcotráfico na América do Sul, mas discorda da posição de classificar organizações criminosas como terroristas.
“Não é preciso classificar organizações criminosas como terroristas nem violar a soberania alheia para combater o crime organizado”, disse.
O presidente aproveitou o discurso para voltar a defender a definição de regras para redes sociais e outras plataformas digitais. Segundo ele, as “sociedades estarão sob constante ameaça sem regulação das big techs”.
“Erradicar a exploração sexual de crianças e de adolescente é uma imposição moral e uma obrigação do poder público”, acrescentou.
O Planalto avalia enviar nesta semana ao Congresso um projeto de lei de regulação das big techs. O governo também apoia a proposta em análise na Câmara que combate à adultização de crianças e adolescentes nas redes sociais.

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