
Decisão judicial determina que YouTube e X revelem dados de contas que ofenderam o criador de conteúdo após publicação do vídeo “Adultização”
A Justiça de São Paulo autorizou a quebra de sigilo de usuários que chamaram o influenciador digital Felipe Bressanim Pereira, conhecido como Felca, de pedófilo nas redes sociais. As ofensas ocorreram durante a produção e divulgação do vídeo “Adultização”, que ultrapassa 38 milhões de visualizações em plataformas como YouTube e X (antigo Twitter).
De acordo com a decisão da juíza Flavia Poyares Miranda, os comentários feitos por essas contas configuram prática ilícita. Por isso, foi determinado que as plataformas forneçam dados como IPs, horários de acesso e informações cadastrais dos responsáveis pelas publicações ofensivas. O prazo para envio das informações é de cinco dias, com multa diária de R$ 200 em caso de descumprimento, limitada a 30 dias.
As acusações contra Felca surgiram após internautas apontarem que o influenciador seguia perfis de menores com conteúdo considerado sexualizado. Na ocasião, ele justificou que o monitoramento fazia parte da apuração para o documentário que estava desenvolvendo.
Apesar da explicação, mais de 230 contas passaram a atacá-lo publicamente com termos ofensivos. Após o lançamento do vídeo, que expõe casos de exploração infantil por influenciadores, Felca decidiu mover ações judiciais contra todas as contas envolvidas. O processo visa a remoção dos conteúdos difamatórios e a identificação dos autores, sem pedir a suspensão dos perfis.
Felca, por meio de seu advogado, ofereceu acordos aos ofensores: a retirada do processo mediante doação de R$ 250 a instituições que atuam no combate à exploração infantil. Segundo ele, pelo menos 80 pessoas já se retrataram e aceitaram a proposta.
Em entrevistas, Felca revelou que passou a andar com carro blindado e segurança particular após ameaças recebidas desde a publicação do vídeo.
O documentário “Adultização” expõe práticas de exposição precoce de crianças e adolescentes por influenciadores e familiares nas redes sociais. O material cita nomes como Hytalo Santos, do canal “Bel para Meninas”, e o caso de Caroliny Dreher, adolescente que também teve sua imagem amplamente divulgada online.
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