
Goiás registrou uma redução de 33% nos focos de queimadas durante o mês de julho de 2025, segundo dados divulgados pelo Centro de Informações Meteorológicas e Hidrológicas de Goiás (Cimehgo). Apesar do avanço, a situação ainda preocupa devido à estiagem prolongada que afeta todo o estado.
Entre os dias 28 de julho e 3 de agosto, a maioria das regiões goianas apresentou menos ocorrências de incêndios do que no mesmo período de 2024. O destaque vai para as regiões Sul e Central, que registraram quedas significativas nos focos: de 41 para 4 e de 20 para 10, respectivamente. A região Leste também teve redução, passando de 25 para 8.
Por outro lado, houve aumento em algumas áreas. No Norte, por exemplo, os focos saltaram de 7 para 22, enquanto o Sudoeste, que não teve registros no mesmo período do ano passado, contabilizou 5 focos este ano.
Queda em agosto reforça tendência
Os dados parciais de agosto (até o dia 3) mostram que a tendência de queda persiste. Na região Sudoeste, foram 7 focos em 2025 contra 63 no mesmo período de 2024. Já a região Leste passou de 281 para apenas 2 ocorrências. A região Central também apresentou forte recuo, de 157 para 4 focos.
Municípios com mais registros neste início de agosto incluem Monte Alegre de Goiás (5), Cristalina (3), Porangatu (3), Anápolis (2), Santo Antônio do Descoberto (2) e Uruaçu (2).
Estiagem prolongada acende alerta
Apesar dos avanços, o gerente do Cimehgo, André Amorim, alerta que as condições climáticas ainda são preocupantes. Regiões como Sudoeste e Leste estão há mais de 90 dias sem registro significativo de chuvas, enquanto o restante do estado acumula cerca de 40 dias de estiagem.
“Estamos enfrentando um período muito seco, com umidade do solo extremamente baixa. Isso mantém o risco de incêndios elevado, mesmo com a queda nos números de focos”, afirmou Amorim.
A umidade do solo está em média em 2%, com pequenas exceções como Itumbiara (5%) e Cachoeira Dourada (4%). As precipitações também foram mínimas, com registros de apenas 4,4 mm em Maurilândia e 2,4 mm em Rio Verde.
Queimadas são, em sua maioria, provocadas
A maior parte dos incêndios segue sendo causada por ação humana. Amorim reforça o pedido de conscientização: “Mesmo queimadas pequenas, como folhas na porta de casa, podem se espalhar. É uma questão de responsabilidade com o próximo”.
O governo estadual mantém em vigor um decreto que proíbe queimadas por 120 dias, além de mobilizar uma força-tarefa composta por Corpo de Bombeiros, Polícia Civil, Polícia Ambiental, Defesa Civil, Semad, EMATER, FAEG, secretarias municipais e outras entidades.
Além disso, o aplicativo Monitor de Queimadas, disponível para Android e iOS, permite que qualquer cidadão registre focos de incêndio e envie imagens diretamente para análise das autoridades.
Unidades de Conservação em risco
Diversas Unidades de Conservação seguem com alerta elevado para incêndios, entre elas:
Parque Estadual Altamiro de Moura Pacheco
Parque Estadual dos Pirineus
APA Serra da Galés
APA do Pouso Alto
Parque Estadual de Terra Ronca
Floresta Estadual do Araguaia
Parque Estadual de Caldas Novas, entre outras.
A meta, segundo o governo, é tornar Goiás o estado com menor número de queimadas do Centro-Oeste em 2025. Mas, para isso, a participação da população é considerada fundamental.
Impactos à saúde e ao meio ambiente
O gerente do Cimehgo alerta ainda que os danos não são apenas ambientais. A fumaça gerada pelas queimadas afeta diretamente a qualidade do ar, aumentando a procura por atendimento médico, especialmente entre crianças e idosos. “Não queremos ver os hospitais mais cheios por causa disso”, reforçou.
Ao finalizar, Amorim deixou um apelo: “Provocar queimadas é crime ambiental, mas é também um risco coletivo. Contamos com a colaboração de todos para proteger o meio ambiente, a saúde e a vida”.
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