Jovem goiano de 22 anos morre em combate na guerra da Ucrânia
O conflito no Leste Europeu fez mais uma vítima goiana. Mateus Santos, de 22 anos, morador de Rio Verde, no sudoeste de Goiás, foi confirmado como morto enquanto servia ao Exército da Rússia na guerra contra a Ucrânia. O jovem estava desaparecido desde o dia 30 de novembro de 2025, e a notícia de seu falecimento foi comunicada à família por colegas de farda através das redes sociais no último domingo (9).
A trajetória de Mateus até o front foi marcada por segredos. Em agosto de 2025, ele se despediu da família sob o pretexto de que viajaria ao Distrito Federal para encontrar uma amiga. Somente um mês depois, por meio de uma chamada de vídeo, ele revelou à mãe, Sandra Maria da Silva Santos, que estava em território russo e havia assinado um contrato militar para atuar no conflito que já se estende por quatro anos.
O Relato dos Combatentes e a Busca pelo Corpo
A confirmação da morte veio de forma dolorosa e informal. Soldados que atuavam na mesma unidade de Mateus publicaram uma lista no Instagram com fotos de combatentes caídos e mensagens de despedida. Um dos militares, que mantinha contato com a família, relatou ter testemunhado o momento em que o jovem goiano morreu em combate. “Teve um que estava no grupo do meu filho e disse que viu ele morrer”, desabafou a mãe ao portal Mais Goiás.
Agora, a família enfrenta uma nova batalha: a burocracia internacional. Sandra Maria já acionou o Itamaraty e a Embaixada da Rússia para tentar repatriar o corpo. O processo é complexo, pois depende da atualização do status oficial de Mateus — de “desaparecido” para “morto” — pelos órgãos consulares russos, algo que costuma ser moroso em zonas de guerra ativa.
Brasileiros no Conflito: Números Alarmantes
O caso de Mateus Santos acende um alerta sobre o crescente número de brasileiros que se voluntariam ou são contratados para lutar em ambos os lados da guerra. Dados do Itamaraty indicam que 22 brasileiros já morreram no conflito e outros 42 permanecem desaparecidos. Mateus é o segundo goiano de 22 anos a perder a vida na guerra recentemente; em 2025, Kauan Victor, de Anápolis, morreu lutando pela Ucrânia.
Especialistas e ex-combatentes têm alertado sobre os riscos e a realidade brutal do front, que muitas vezes difere das promessas feitas em anúncios de recrutamento na internet. Relatos de brasileiros que conseguiram retornar descrevem cenários de desolação e arrependimento, citando gastos elevados com equipamentos e a falta de suporte logístico adequado.
O Último Contato e a Rotina no Front
Entre sua chegada à Rússia em agosto e seu desaparecimento em novembro, Mateus manteve contato frequente com os familiares em Rio Verde. Ele enviava fotos e vídeos de sua rotina de treinamentos e deslocamentos, tentando tranquilizar a mãe. No entanto, após o dia 30 de novembro, as mensagens pararam e o celular não recebia mais chamadas, mergulhando a família em um período de angústia que durou mais de dois meses até a confirmação da tragédia.
A morte do jovem comoveu a cidade de Rio Verde e levanta discussões sobre as motivações que levam jovens brasileiros a buscarem o sustento ou a aventura em guerras estrangeiras, muitas vezes pagando com a própria vida.







