Diplomacia em Davos: Espanha Rejeita “Conselho da Paz” de Trump e Lista de Adesões se Divide
O primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, oficializou nesta sexta-feira (23) a recusa ao convite do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para integrar o recém-lançado “Conselho da Paz”. Criado para supervisionar a reconstrução e a segurança na Faixa de Gaza, o órgão foi apresentado ontem no Fórum Econômico Mundial, em Davos, sob críticas de que o projeto visa esvaziar a autoridade da ONU.
Os Motivos de Madri
Sánchez justificou a decisão com base na “coerência diplomática”, reafirmando o compromisso da Espanha com o multilateralismo e o sistema das Nações Unidas. O premiê espanhol também apontou a ausência da Autoridade Palestina no conselho como um fator determinante para o rechaço. Atualmente, a Espanha é uma das vozes europeias mais críticas à condução do conflito em Gaza e defende ativamente o reconhecimento do Estado da Palestina.
Raio-X das Adesões Globais
Até o momento, cerca de 60 países foram convidados por Trump. O grupo de adesão é liderado por potências regionais do Oriente Médio e governos alinhados ideologicamente ao republicano.
| Status | Países |
| Aceitaram | Arábia Saudita, Israel, Argentina, Hungria, Turquia, Egito, Catar, Emirados Árabes Unidos, Paraguai, Indonésia, Paquistão, Vietnã, Belarus, entre outros (total de 26 países). |
| Recusaram | Espanha, França, Noruega, Suécia, Eslovênia, Reino Unido e China. |
| Em Análise | Brasil, Alemanha, Itália, Rússia, Ucrânia e Índia. |
O Brasil na Balança
O presidente Lula ainda não respondeu oficialmente ao convite. Fontes do Itamaraty indicam que o governo brasileiro avalia o risco de enfraquecimento da ONU e a falta de margem para negociações no estatuto do conselho — que estabelece Trump como presidente vitalício e único com poder de veto. Nesta manhã (23), Lula conversou por telefone com o presidente chinês, Xi Jinping, sobre a importância de manter o papel central das Nações Unidas, sinalizando uma possível coordenação de resposta com o bloco do BRICS.
Estrutura do Conselho
Investimento: Países que contribuírem com mais de US$ 1 bilhão garantem assento permanente (caso da Rússia, que sinalizou interesse sob essa condição).
Mandato: Membros sem contribuição bilionária exercem mandatos de três anos, renováveis pelo presidente.
Poder Centralizado: Donald Trump detém a palavra final sobre todas as decisões e a escolha de quem pode ou não integrar o grupo.







