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Dólar opera em queda, com tensão Brasil-EUA no radar e expectativa pela ata do Fed; bolsa sobe


Ações dos bancos derretem após decisão do ministro Flávio Dino que proibiu as instituições de acatar ordens estrangeiras
O dólar opera em queda de 0,50% nesta quarta-feira (20), cotado em R$ 5,4717 perto das 13h15. Já o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, tinha alta de 0,26% no mesmo horário, aos 134.789 pontos.
Investidores continuam a reagir à decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, que proibiu restrições “decorrentes de atos unilaterais estrangeiros” por parte de empresas ou instituições que atuam no Brasil — o que pode influenciar a aplicação da Lei Magnitsky no país. (Entenda mais abaixo)
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A decisão é importante porque pode piorar a relação do Brasil com os Estados Unidos e interferir nas tentativas de negociação do governo brasileiro sobre as tarifas impostas pelo presidente norte-americano, Donald Trump.
▶️ O cenário tem aumentado o sentimento de cautela entre investidores, e analistas já avaliam que o clima de tensão deve perdurar ao longo desta semana. A maior percepção de risco trouxe uma valorização do dólar na véspera e a forte queda das ações do setor bancário, que resultou em uma perda de R$ 41,9 bilhões em valor de mercado ao setor.
Decisão de Dino: entenda as dúvidas geradas e como bancos podem ser afetados
Hoje, os papéis do segmento financeiro operam mistos. Apesar de parte das instituições financeiras avançarem, recuperando parte das perdas de ontem, algumas ações operam em queda, ainda refletindo a maior percepção ao risco. (Veja mais abaixo)
▶️ Em meio às tensões entre o STF e os EUA, com o tarifaço como pano de fundo, a desaprovação do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) caiu, embora ainda represente 51% da população. Já a aprovação subiu três pontos percentuais, chegando a 46%.
A pesquisa também indicou que 55% dos brasileiros consideram que tanto o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) quanto o seu filho, o deputado Eduardo Bolsonaro (PL) estão agindo mal diante do tarifaço de Trump.
▶️ Na agenda econômica doméstica, o Banco Central do Brasil (BC) divulga às 14h30 o fluxo cambial semanal, que mostra a entrada e saída de dólares no país.
▶️ Já nos EUA, os investidores esperam pela divulgação da ata do Federal Reserve (Fed), o banco central americano, sobre a última reunião de política monetária.
O mercado busca sinais sobre os próximos passos do Fed, que podem reforçar ou frustrar as expectativas de corte de juros na reunião de setembro.
▶️ Ainda sobre os juros nos EUA, começa nesta quarta-feira o Simpósio de Jackson Hole, evento que reúne banqueiros centrais de diversos países. Na sexta-feira, está previsto o discurso de Jerome Powell, presidente do Fed.
Veja a seguir como esses fatores influenciam o mercado.
Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair
💲Dólar

a
Acumulado da semana:+1,87%;
Acumulado do mês: -1,81%;
Acumulado do ano: -11,01%.
📈Ibovespa

Acumulado da semana: -1,40%;
Acumulado do mês: +1,02%;
Acumulado do ano: +11,76%.
Decisão de Dino afeta bancos
A decisão de Dino proferida no início da semana continua a esar nas ações do setor financeiro. Isso porque além de indicar que leis e determinações de outros países não têm validade automática no Brasil por uma questão de soberania nacional, o ministro também proibiu instituições financeiras brasileiras de atender ordens de tribunais estrangeiros sem autorização expressa do STF.
A decisão bate de frente com a imposição da Lei Magnitsky por parte do governo dos EUA e levanta dúvidas sobre os eventuais impactos para bancos e empresas que operam no Brasil e no exterior.
Com isso, os bancos sofreram uma forte queda no pregão de ontem, puxando o Ibovespa, principal índice acionário da bolsa de valores brasileira, para baixo. No pregão de hoje, a maioria dos papéis de bancos operam em alta, aliviando parte das perdas. Veja abaixo:
Banco do Brasil (BBAS3): +0,05%
Bradesco (BBDC4): +0,76%;
BTG (BPAC11): -0,67%
Itaú (ITUB4): +0,36%
Santander (SANB11): +1,81%
Em meio à aversão ao risco dos investidores, às 14h30 desta quarta-feira, o BC vai divulgar os dados semanais do fluxo cambial.
Esses números, no entanto, não devem ainda refletir ao desempenho do câmbio diante do atual impasse entre o STF e os EUA, visto que ele vai demonstrar a entrada e saída de dólares do país até o dia 15 de agosto.
Aprovação do governo Lula sobe
A aprovação do governo Lula (PT) subiu três pontos e chegou a 46%, segundo pesquisa Quaest divulgada hoje. Já a desaprovação oscilou dois pontos para baixo, mas ainda representa 51% da população.
Veja os números:
Aprova: 46% (eram 43% na pesquisa de julho);
Desaprova: 51% (eram 53%);
Não sabe/não respondeu: 3% (eram 4%).
A diferença entre aprovação e desaprovação é a menor desde janeiro de 2025, quando havia empate técnico: 49% desaprovavam o governo Lula, enquanto 47%, aprovavam naquele mês.
Ata do Fed
A decisão do Fed de manter os juros no mês passado gerou divergências internas, com dois membros defendendo um corte para proteger o mercado de trabalho. A ata da reunião, que será divulgada hoje, pode revelar se essas preocupações estão ganhando apoio dentro do banco central.
Dados divulgados logo após o encontro reforçaram os alertas desses membros, ao mostrar uma criação de empregos abaixo do esperado, aumento do desemprego e queda na participação da força de trabalho — além de uma revisão que eliminou mais de 250 mil vagas antes contabilizadas.
No entanto, os dados desde então têm fornecido munição para o grupo mais preocupado com o risco de que o agressivo regime tarifário de Trump reacenda a inflação.
Antes da divulgação da ata, a ferramenta FedWatch da CME atribui uma probabilidade de 85% de uma redução de um 25 pontos base na taxa de juros do Fed, atualmente na faixa de 4,25% a 4,50% desde dezembro.
A redução dos juros nos EUA é uma pauta frequentemente defendida por Trump. O republicano já chegou a xingar o atual presidente da instituição, Jerome Powell, reiterando que o banqueiro central está atrasado na condução da política monetária norte-americana.
Em um novo capítulo, nesta quarta-feira, o republicano pediu que a diretora do Fed, Lisa Cook, renuncie, intensificando seus esforços para ganhar influência sobre o Fed — agora, com base em alegações feitas por um de seus aliados sobre as finanças pessoais da executiva.
“Cook deve renunciar, agora!!!”, escreveu Trump em suas redes sociais.
Bolsas globais
Os principais índices de Wall Street operam em queda, com o Nasdaq atingindo o menor nível em duas semanas. A pressão sobre as ações de tecnologia, que vinham liderando a recuperação do mercado desde abril, reflete a cautela dos investidores diante do simpósio do Federal Reserve em Jackson Hole.
Com isso, na abertura dos mercados, o Dow Jones perdia 0,04%, o S&P 500 caía 0,62% e o Nasdaq recuava 1,28%.
Já os mercados europeus apresentam desempenho misto, refletindo a recente queda das ações de tecnologia nos EUA. Embora não haja um motivo específico para o movimento, analistas apontam fatores como o aumento da influência do presidente Donald Trump sobre o setor e um cenário global de maior cautela.
Entre os principais índices, o STOXX 600 registra leve alta de 0,14%, enquanto o DAX da Alemanha recua 0,38%. O FTSE 100 do Reino Unido sobe 0,27%, o CAC 40 da França avança 0,02% e o FTSE MIB da Itália apresenta queda de 0,20%.
Na Ásia, as ações da China subiram para o nível mais alto desde 2015, impulsionadas pela migração de fundos para o mercado acionário, em meio à redução das tensões comerciais e à atuação de Pequim contra a concorrência excessiva
O índice de Xangai avançou 1,04%, encerrando o dia em 3.766 pontos, enquanto o CSI300, que reúne as maiores companhias listadas em Xangai e Shenzhen, teve alta de 1,14%, a 4.271 pontos. O índice Hang Seng, referência de Hong Kong, subiu 0,17%, a 25.165 pontos.
Em Tóquio, o índice Nikkei recuou 1,51%, a 42.888 pontos. Em Seul, o Kospi caiu 0,68%, a 3.130 pontos, e em Taiwan, o Taiex teve baixa de 2,99%, a 23.625 pontos. Já em Cingapura, o Straits Times se valorizou 0,08%, a 4.219 pontos, e em Sydney, o S&P/ASX 200 avançou 0,25%, a 8.918 pontos.
Cotação do dólar mostra menor confiança na economia brasileira devido a gastos e dívidas do governo
Jornal Nacional/ Reprodução
*Com informações da agência de notícias Reuters

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