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Crise na Hotelaria Hospitalar: Desabastecimento de Enxoval no Hugol Expõe Falhas em Contratos Terceirizados

Desabastecimento de enxoval no Hugol: Crise contratual afeta pacientes
Desabastecimento de enxoval no Hugol: Crise contratual afeta pacientes

Crise na Hotelaria Hospitalar: Desabastecimento de Enxoval no Hugol Expõe Falhas em Contratos Terceirizados

A assistência aos pacientes no Hospital Estadual de Urgências Governador Otávio Lage de Siqueira (Hugol), em Goiânia, enfrenta um gargalo operacional crítico que compromete protocolos básicos de higiene e biossegurança. Relatos colhidos nesta quarta-feira (28) junto a servidores, pacientes e acompanhantes detalham um cenário de escassez severa de itens de rouparia, como lençóis, toalhas, cobertores e camisolas hospitalares.

A Origem do Impasse: Gargalo Contratual e Logístico

A crise, segundo apuração técnica, não é um evento isolado de superlotação, mas o reflexo de um colapso na cadeia de suprimentos gerida por uma empresa terceirizada. Servidores da unidade relatam que a fornecedora atual não possui capacidade produtiva para processar e entregar o volume de enxoval exigido por um hospital de alta complexidade como o Hugol.

O imbróglio jurídico agrava a situação: o hospital iniciou um processo de distrato (rompimento de contrato) com a empresa por descumprimento de cláusulas de entrega. No entanto, para evitar a interrupção total do serviço durante o período de transição para uma nova licitação, o contrato foi prorrogado emergencialmente por 90 dias. Esse vácuo administrativo tem gerado o que funcionários chamam de “desabastecimento intermitente”, onde a reposição de peças limpas não acompanha o ritmo de altas e novas internações.

Impactos na Assistência e Protocolos de Higiene

A falta de insumos básicos reflete diretamente na dignidade do atendimento e na segurança sanitária. Foram registrados episódios onde:

  • Pós-operatório e Mobilidade Reduzida: Pacientes sem condições de locomoção permaneceram em leitos com vestígios de fluídos corporais (suor e urina) devido à ausência de peças de reposição.

  • Risco de Infecção Hospitalar: A reutilização de vestimentas por até 72 horas contraria normas da Vigilância Sanitária e aumenta a vulnerabilidade a infecções cruzadas.

  • Improviso Técnico: Relatos indicam o uso de lençóis descartados ou danificados que são cortados manualmente pela equipe para suprir a falta de toalhas de banho.

O Posicionamento Institucional

Em nota técnica, a direção do Hugol reconheceu a ocorrência de “ajustes pontuais”, atribuindo-os ao aumento do fluxo de internações. A instituição reforçou que a equipe de hotelaria monitora os estoques diariamente. Contudo, a proibição de que familiares tragam enxoval externo — medida padrão para controle de infecção — deixa os pacientes em uma zona de desassistência quando a logística interna falha.

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