Melhor campanha da fase de grupos da Copa Libertadores, segundo melhor desempenho geral do Campeonato Brasileiro, melhor aproveitamento depois da Copa do Mundo de Clubes e melhor aproveitamento do time na era dos pontos corridos.
Essa, acima, é a descrição do momento do Palmeiras. Ou parte dela, já que “crise” também define o que acontece na Academia de Futebol.
Mesmo conhecendo a relevância do Dérbi e o peso de ser eliminado nele, não é fácil entender como um time com tais números, bem como com o retrospecto de anos recentes, está em um momento tão turbulento. Para um estrangeiro, então, tal compreensão é quase impossível. E a Trivela provou isso na pele.
É difícil entender crise do Palmeiras de fora?
Por coincidência, a reportagem concedeu entrevistas a dois veículos estrangeiros na quarta-feira (13). De Portugal, António Soares do “Jornal de Notícias”, queria entender as origens da crise envolvendo seu conterrâneo.
Do Peru, Ana Lucía Rodrigues, Gustavo Peralta e equipe da Rádio “L1 MAX” indagavam como o momento do Palmeiras poderia afetar o Universitário, que encara o Verdão nesta quinta (14), em Lima, pelas oitavas de final da Copa Libertadores.
— Mas a torcida não avalia que as muitas saídas de jogadores leva o clube a um período de adaptação? — perguntou Soares.
— Não é fácil ter de substituir Endrick, Estêvão, Mayke, Vitor Reis, Danilo, Scarpa e tantos outros em tão pouco tempo — completou.
— Esse período turbulento é mais pela qualidade do futebol jogado ou pela falta de gols — quis saber Gustavo Peralta.
— Porque os números mostram uma equipe com consistência — acrescentou.
Sim, caros estrangeiros. Tudo que foi dito acima é verdadeiro. Mas os números e fatos não trazem o calor de uma crise que é tão comportamental quanto técnica.
Comportamento de mais, futebol de menos

Ao colega português, a Trivela tentou explicar que a postura por vezes arrogante de Abel, que o coloca em colisão com a imprensa e alguns torcedores, tem muito peso na atual situação. E que o imbróglio com o Al Sadd caiu como uma bomba nesse caldeirão.
Além disso, no que diz respeito a resultados, o baixo aproveitamento contra equipes do G-6 do Brasileiro nas últimas duas temporadas, bem como as quedas recentes em Copas Libertadores e do Brasil, minaram a paciência e a confiança no trabalho de Abel.
Aos peruanos, a reportagem explicou que a crítica de parte da imprensa e dos torcedores tem a ver com a pouca audácia e a falta de repertório. Que, por consequência, levaram o time a fazer poucos gols nos últimos tempos.
Mas a parte que causou mais estranheza foi, ao mesmo tempo, a mais fácil de explicar: o Palmeiras perdeu o Campeonato Paulista e a Copa do Brasil para seu maior rival, que vive o pior momento político e financeiro de seus 115 anos de existência.
Sim, o Paulista é o menos relevante dos torneios disputados pela equipe. E sim, também, a Copa do Brasil é o segundo menos importante. Mas tudo isso muda quando o adversário é o Corinthians.
— É inconcebível, ao torcedor do Palmeiras, ser eliminado pelo arquirrival na situação em que ele se encontra. E duas vezes, ainda por cima — foi a explicação dada aos dois veículos.
Passo a passo
Deveria ser assim? Deveriam, os dérbis decisivos, terem tamanho peso? Na teoria, não. Na prática, já tiveram.
E se é fato que nada vai alterar isso, também é verdade que avançar na Libertadores e seguir na ponta do Brasileirão, aos poucos, podem fazer com que a situação ruim se arrefeça.
Assim como foi com o Ceará, o Universitário pode ser mais um passo inicial do Palmeiras para mais longe de uma crise que está tornando inócuos números que, aos olhos do mundo, deveriam fazer o Palmeiras ser celebrado, e não atacado com bombas.







