Durante a 24ª Cúpula da Organização para Cooperação de Xangai Plus (OCX), realizada nesta segunda-feira (1º), em Tianjin, o presidente da China, Xi Jinping, apresentou a Iniciativa de Governança Global (IGG), uma proposta que pode representar o início de uma nova estrutura de governança internacional. A reunião contou com a presença de cerca de 20 líderes de países não ocidentais, entre eles o presidente da Rússia, Vladimir Putin, e o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi.
Em seu discurso, Xi alertou para o que considera ameaças ao sistema internacional, como o hegemonismo, o protecionismo e a mentalidade da Guerra Fria, afirmando que a governança global está em uma nova encruzilhada histórica. Segundo o líder chinês, é necessário reforçar a cooperação e a coexistência pacífica em tempos de incerteza global.
A proposta foi apresentada em um contexto de tensões comerciais com os Estados Unidos, que impuseram tarifas a diversos países, incluindo a Índia. Recentemente, o governo norte-americano pressionou Nova Délhi a suspender a compra de petróleo russo, o que não foi atendido.
Durante o encontro, Narendra Modi apareceu sorridente ao lado de Putin e Xi, marcando sua primeira visita à China em sete anos. O gesto sinaliza uma tentativa de aproximação entre Nova Délhi e Pequim, apesar das conhecidas disputas fronteiriças e rivalidades regionais entre os dois países.
A reunião antecede as celebrações do 80º aniversário do fim da ocupação japonesa na China, evento que contará com um desfile militar e a presença de dezenas de chefes de Estado.
Cinco princípios da proposta chinesa
Xi Jinping apresentou cinco pilares para a nova proposta de governança global:
Igualdade soberana entre os Estados;
Respeito ao direito internacional;
Defesa do multilateralismo;
Abordagem centrada nas pessoas;
Implementação de medidas práticas e eficazes.
O líder chinês defendeu que todos os países, independentemente de sua força econômica ou militar, devem ter participação igual nas decisões globais e reiterou a importância de fortalecer o papel dos países em desenvolvimento no cenário internacional.
Xi também criticou o unilateralismo, destacando que a governança global deve ser baseada em consultas amplas, cooperação e benefícios compartilhados. A iniciativa se insere no esforço da China de ampliar sua influência geopolítica, especialmente por meio do Cinturão da Rota da Seda — um projeto de integração econômica global promovido por Pequim.
Durante o evento, a China também anunciou um pacote de ajuda de US$ 280 milhões para os membros da OCX, além de um empréstimo adicional de 10 bilhões de yuans destinados aos bancos do grupo. A organização também atua em temas como energia limpa, inteligência artificial, combate ao narcotráfico e segurança regional.
Apoio da Rússia e aceno da Índia
O presidente russo, Vladimir Putin, elogiou a proposta chinesa, afirmando que ela oferece uma alternativa viável a um modelo de governança considerado desigual. Segundo ele, a OCX poderia liderar a construção de um sistema mais justo nas relações internacionais.
Narendra Modi, por sua vez, destacou em uma rede social a importância da reunião e afirmou que Índia e Rússia estão aprofundando sua cooperação bilateral em áreas como comércio, fertilizantes, segurança e exploração espacial. Ele também reiterou a busca por uma solução pacífica para o conflito na Ucrânia.
Relação China–Índia em reaproximação
Embora historicamente marcada por tensões geopolíticas e disputas territoriais, a relação entre China e Índia tem mostrado sinais de melhora. O Ministério das Relações Exteriores da China afirmou que as conversas entre Xi e Modi indicam um retorno à normalidade nas relações bilaterais, com a retomada de voos diretos e estabilidade nas regiões de fronteira.
A diplomacia chinesa destacou ainda que Índia e China devem ser vistas como parceiras, não rivais, e que as convergências entre os dois países superam as divergências.
Com informações da Agência Brasil.






