Caso Marielle: PGR afirma que irmãos Brazão lideravam organização criminosa ligada a milícias
Em um desdobramento crucial no julgamento dos acusados de mandar matar a vereadora Marielle Franco e o motorista Anderson Gomes, a Procuradoria-Geral da República (PGR) subiu o tom nesta terça-feira (24). Durante sustentação oral no Supremo Tribunal Federal (STF), o vice-procurador-geral, Hindenburgo Chateaubriand, afirmou que o grupo denunciado não apenas planejou o crime, mas integrava uma organização criminosa armada com raízes profundas no Rio de Janeiro.
Estrutura e Liderança
A acusação sustenta que a organização começou a se consolidar ainda nos anos 2000. Segundo a PGR, os irmãos Domingos Brazão (conselheiro afastado do TCE-RJ) e Chiquinho Brazão (ex-deputado federal) eram os líderes intelectuais do grupo. A estrutura contava com a participação ativa de figuras estratégicas:
Rivaldo Barbosa: Delegado da Polícia Civil;
Major Ronald: Ex-policial militar;
Robson Calixto (“Peixe”): Ex-assessor acusado de realizar cobranças violentas e agiotagem.
Domínio Territorial e Crimes
A PGR apresentou o que chamou de “prova robusta” de que o grupo exercia controle territorial absoluto por meio da exploração econômica e violência. Entre as atividades sistemáticas da organização estavam a extorsão, o loteamento irregular de terras (grilagem) e o monopólio de serviços informais de segurança.
O julgamento, que ocorre na Primeira Turma do STF após oito anos do assassinato, analisa os pedidos de condenação por organização criminosa, duplo homicídio qualificado e tentativa de homicídio.







