Geopolítica e Tensão: Governo Trump Inclui “Cartel de los Soles” em Lista de Grupos Terroristas
O governo dos Estados Unidos, sob a administração de Donald Trump, elevou o patamar da pressão geopolítica contra a Venezuela ao incluir oficialmente o Cartel de los Soles em sua lista de organizações terroristas. A designação, concretizada nesta segunda-feira (24), cumpre o prazo estabelecido pelo Departamento de Guerra e, segundo o secretário Pete Hegseth, “abre uma série de novas opções” para Washington na política contra Caracas.
Os EUA afirmam categoricamente que a organização criminosa, voltada ao narcotráfico e à desestabilização regional, é chefiada diretamente pelo presidente venezuelano, Nicolás Maduro. Trump reforçou que a classificação concede o poder de ataque a alvos ligados a Maduro em território venezuelano, embora tenha mantido a ambiguidade de que “todas as opções estão sobre a mesa”.
Análise da Crise e a Escalada Militar
Caracas reagiu imediatamente, classificando a designação como “ridícula” e acusando Washington de utilizar o rótulo de terrorismo como pretexto para forçar uma mudança de regime e justificar a escalada militar no Caribe.
A inclusão do Cartel de los Soles ocorre em um contexto de aumento da presença militar americana perto da costa venezuelana, com o envio de navios de guerra, caças F-35 e do porta-aviões Gerald Ford. Embora o governo Trump alegue que a operação visa apenas o combate ao narcotráfico, a intensificação das ações, que já resultaram em ataques e mortes de supostos narcotraficantes, é interpretada pelo regime chavista como uma ameaça iminente.
A Complexidade do Cartel
A definição americana de que Maduro é o líder inconteste do grupo é contestada por especialistas em crime organizado. Pesquisadores, como Jeremy McDermott do InSight Crime, argumentam que o Cartel de los Soles não é uma organização centralizada com hierarquia clássica, mas sim uma “rede de redes” composta por membros de diversas patentes militares e estratos políticos que facilitam o narcotráfico.
Embora o próprio Maduro negue a existência do Cartel, analistas concordam que ele é um dos principais beneficiários de uma “governança criminal híbrida” instalada no país. O nome, cunhado pela mídia em 1993, refere-se às insígnias militares venezuelanas e descreve a atividade de tráfico enraizada no Estado, sendo o termo posteriormente adotado pelo Departamento de Justiça dos EUA em acusações contra Maduro. A designação, portanto, é mais uma ferramenta de pressão jurídica e militar em uma crise geopolítica com raízes profundas no crime organizado transnacional.







