Caiado anuncia pré-candidatura à Presidência pelo PSD e encerra disputa interna no partido
Governador de Goiás, aos 76 anos, é escolhido após desistência de Ratinho Junior; Eduardo Leite tentou resistir, mas partido adiantou decisão para evitar crise
O governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), confirmou nesta segunda-feira (30) sua pré-candidatura à Presidência da República nas eleições de 2026. O anúncio foi feito em entrevista coletiva realizada em São Paulo, às 16h, e encerra semanas de tensão interna no PSD — partido historicamente avesso a rupturas e divisões públicas.
A decisão foi acelerada após a desistência do governador do Paraná, Ratinho Junior, na última quarta-feira (25), até então o favorito do presidente do partido, Gilberto Kassab, para encabeçar a candidatura. Em janeiro, Kassab havia reunido os três governadores — Caiado, Ratinho Junior e Eduardo Leite, do Rio Grande do Sul — em um acordo pelo qual dois deles abririam mão da disputa em favor do nome mais bem posicionado nas pesquisas. Ratinho Junior liderava esse cenário, mas recuou por uma combinação de fatores: pressão familiar, temores sobre uma possível derrota e rumores de investigações ligadas ao caso Master com reflexos no Paraná.
Leite resiste, Caiado prevalece
Com a saída do paranaense, Leite intensificou sua campanha interna e tentou se apresentar como a alternativa mais genuinamente de centro do partido, buscando apoio de nomes históricos ligados ao antigo PSDB. Para alguns integrantes do PSD, porém, a movimentação tinha mais o objetivo de valorizar seu nome politicamente do que uma real disputa pela candidatura presidencial.
Caiado era visto como o nome natural para ocupar a vaga, especialmente por sua experiência política acumulada e pela forte ligação com o agronegócio, setor estratégico no Centro-Oeste e no interior do Brasil. Seu nome chegou a ser indicado como preferido pelo conselho político do PSD. Diante da indefinição, o partido decidiu antecipar a escolha, evitando aguardar o prazo limite de 4 de abril — data em que tanto Caiado quanto Leite precisariam se desincompatibilizar de seus cargos por exigência legal.
O futuro de Eduardo Leite ainda é incerto. Cogita-se a possibilidade de ele integrar a chapa como vice, embora o próprio tenha sinalizado resistência à ideia. Para o Senado gaúcho, o PSD deverá lançar o deputado estadual Frederico Antunes.
Desafios de um candidato à direita em um partido de centro
A candidatura de Caiado impõe desafios claros ao PSD. O governador goiano tem perfil assumidamente à direita do espectro político — distante da ideia de centro que o partido pretendia projetar para romper a polarização entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL).
Caiado estreou na política presidencial em 1989, quando concorreu ao cargo como candidato da União Democrática Ruralista, na primeira eleição após a redemocratização, terminando em décimo lugar em um pleito vencido por Fernando Collor no segundo turno contra Lula. Depois, foi deputado federal por dois mandatos, senador e governador de Goiás, eleito em 2018 e reeleito em 2022.
Nos últimos anos, manteve proximidade com o bolsonarismo — o que representa um obstáculo adicional para quem precisa disputar o eleitorado anti-Lula com Flávio Bolsonaro, já ungido pelo pai como candidato do campo conservador. Na mais recente pesquisa Datafolha deste mês, Caiado marcava apenas 4% no cenário em que aparecia como nome do PSD, muito atrás de Lula e Flávio. Em eventual segundo turno contra o petista, perdia por 46% a 36%.
Apoiadores do governador argumentam que a polarização é um dado consolidado, mas acreditam que o espaço anti-Lula pode ser ampliado quando Flávio Bolsonaro for submetido ao escrutínio mais intenso de uma campanha eleitoral. A convenção que oficializará a candidatura está prevista para o meio do ano.







