Assistência ao parto avança no Brasil, mas ainda há Desafios no pré-natal

Assistência ao parto avança no Brasil, mas ainda há Desafios no pré-natal
Arquivo/MDS

Uma nova pesquisa realizada pela Fiocruz, intitulada Nascer no Brasil 2, revela importantes avanços na assistência ao parto no país, embora ainda existam preocupações significativas em relação ao pré-natal. Os dados, que abrangem o período de 2006 a 2015, posicionam o Brasil como o sétimo país da América do Sul em termos de taxa de gravidez na adolescência.

 

Avanços na Prática Hospitalar

Os resultados mostram uma redução drástica na realização de procedimentos invasivos, como a episiotomia, que caiu de 47% para apenas 7% nos partos vaginais realizados pelo Sistema Único de Saúde (SUS) ao longo de aproximadamente uma década. A manobra de Kristeller, que consiste em pressionar a barriga da gestante para acelerar o parto, também teve uma queda significativa, passando de 36% para 9% no SUS.

 

No setor privado, a redução foi ainda mais acentuada, com apenas 2% das mulheres relatando ter passado pela manobra. A pesquisa, que coletou informações de mais de 22 mil mulheres entre 2021 e 2023, também indicou um aumento no número de mulheres que puderam se mover e se alimentar durante o trabalho de parto, além de uma preferência por posições verticalizadas, que favorecem o nascimento.

 

Maria do Carmo Leal, coordenadora da pesquisa, destacou: “Estamos testemunhando uma mudança cultural significativa na atenção ao parto, resultado de políticas públicas eficazes.”

 

Desafios no Pré-Natal

Apesar dos avanços na assistência ao parto, os dados sobre o pré-natal são preocupantes. Embora 98,5% das mulheres no Rio de Janeiro tenham recebido acompanhamento, apenas um terço delas apresentou registros completos de aferição de pressão arterial e exames de glicemia, essenciais para detectar complicações como hipertensão e diabetes durante a gestação. Além disso, menos de 34% das mulheres tiveram prescrição de ácido fólico e apenas 31,6% foram vacinadas contra tétano e hepatite B.

 

Leal também apontou falhas no atendimento a gestantes de alto risco, com 75% delas não tendo realizado consultas com especialistas. “Essas mulheres enfrentam dificuldades para serem atendidas, o que é inaceitável”, disse.

Os dados da pesquisa Nascer no Brasil 2 revelam um panorama misto: enquanto a assistência ao parto mostra avanços significativos, o pré-natal ainda apresenta lacunas que precisam ser urgentemente abordadas para garantir a saúde e segurança das gestantes e seus bebês.

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