A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investiga fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) aprovou nesta quinta-feira (4/9) um requerimento para obter informações sigilosas sobre pessoas que atuaram em nome do Sindicato Nacional dos Aposentados da Força Sindical (Sindnapi) entre 2015 e 2023. O sindicato tem como vice-presidente José Ferreira da Silva, conhecido como Frei Chico, irmão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
É importante destacar que a solicitação de dados não implica necessariamente que Frei Chico será convocado a depor na comissão.
Contexto das investigações
As fraudes envolvendo o INSS foram reveladas em uma série de reportagens publicadas pelo Metrópoles a partir de dezembro de 2023. As matérias mostraram que a arrecadação das entidades com descontos de mensalidade de aposentados cresceu significativamente, alcançando R$ 2 bilhões em um ano, enquanto as associações enfrentavam milhares de processos por irregularidades em filiações de segurados.
Essas reportagens levaram à abertura de inquérito pela Polícia Federal (PF) e serviram de base para apurações da Controladoria-Geral da União (CGU). A investigação resultou na Operação Sem Desconto, deflagrada em 23 de abril, que levou à demissão do presidente do INSS e do ministro da Previdência, Carlos Lupi.
Novos requerimentos da CPMI
O presidente da comissão, senador Carlos Viana (Podemos-MG), também solicitou à Polícia Legislativa a intimação de Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, cuja convocação já foi aprovada pelo colegiado.
Entre os pedidos feitos à PF estão:
Informações sobre viagens internacionais de Careca do INSS nos últimos cinco anos;
Registros de entrada e saída do país;
Dados sobre veículos apreendidos relacionados à Operação Sem Desconto;
Levantamento de movimentações no Congresso Nacional, que estavam sob sigilo de 100 anos.
Antônio Carlos, que atuava como lobista para as associações perante o INSS, recebia 27,5% de cada desconto obtido em aposentadorias e movimentava pagamentos envolvendo parentes de ex-dirigentes do instituto, conforme revelado pelas quebras de sigilo bancário.
Fonte – Metrópoles






