Irã e países europeus se reúnem para discutir programa nuclear

Irã e países europeus se reúnem para discutir programa nuclear
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O Irã pode voltar a enfrentar sanções da Organização das Nações Unidas (ONU) nas próximas semanas caso não avance nas negociações sobre seu programa nuclear e continue restringindo inspeções internacionais em suas instalações.

As conversas entre representantes iranianos e diplomatas da França, Alemanha e Reino Unido foram retomadas nesta terça-feira (26), mas a expectativa é de que, se não houver progresso, o grupo europeu — conhecido como E3 — acione o mecanismo de “snapback”, que restabelece automaticamente todas as sanções suspensas pelo acordo nuclear de 2015.

Esse pacto, firmado entre o Irã, os Estados Unidos e potências europeias, limitava as atividades nucleares iranianas em troca do alívio das sanções econômicas. Entretanto, desde a saída dos EUA do acordo durante o governo Donald Trump, Teerã vem acelerando o enriquecimento de urânio e descumprindo obrigações previstas.

Na semana passada, os ministros de Relações Exteriores do E3 afirmaram, em carta ao Conselho de Segurança da ONU, que o Irã descumpriu quase todos os compromissos assumidos no acordo. Eles ressaltaram que, sem avanços até o fim de agosto, não restará alternativa senão acionar o snapback.

Do lado iraniano, o discurso é de resistência. Autoridades de Teerã alertaram que a volta das sanções terá consequências graves e que o país está preparado para cenários mais duros, incluindo reduzir ainda mais a cooperação com a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) e até reavaliar sua participação no Tratado de Não Proliferação Nuclear (TNP).

Especialistas alertam que a eventual retomada das sanções pode afetar fortemente a economia do Irã, já fragilizada, impactando especialmente setores estratégicos como o petrolífero e o financeiro. Ainda assim, há expectativa de que países como China, Iraque e Emirados Árabes mantenham relações comerciais com Teerã, reduzindo parcialmente os efeitos do bloqueio.

A reunião desta semana ocorre em nível de vice-ministros das Relações Exteriores, mas deve ser decisiva para o futuro das negociações e do próprio programa nuclear iraniano.

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