
Em uma declaração contundente, a Embaixada dos Estados Unidos no Brasil classificou o programa Mais Médicos como um “golpe diplomático” que teria explorado médicos cubanos e enriquecido um “regime cubano corrupto”. A afirmação foi feita na quinta-feira, 14 de agosto, um dia após o governo americano anunciar sanções direcionadas a ex-funcionários do governo brasileiro e da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) envolvidos na iniciativa.
Detalhes das Acusações
Segundo a embaixada, as sanções visam responsabilizar aqueles que participaram do que foi descrito como um “esquema coercitivo de exportação de mão de obra”. O Departamento de Estado dos EUA destacou que os médicos cubanos que atuaram no programa relataram experiências de exploração, sugerindo que suas condições de trabalho se assemelham a trabalho forçado. Essa crítica se alinha a um contexto de crescente tensão diplomática entre os dois países.
Reações do Governo Brasileiro
A resposta do governo brasileiro foi rápida. O presidente Lula rebateu as acusações, afirmando que o Brasil “não vai se submeter” a pressões externas. Ele também criticou a revogação de vistos de figuras ligadas ao programa, como Mozart Julio Tabosa Sales, atual secretário de Atenção Especializada à Saúde, e Alberto Kleiman, ex-assessor do Ministério da Saúde. Lula pediu o fim do embargo a Cuba, ressaltando a importância da solidariedade internacional.
Impacto nas Relações Bilaterais
As sanções e as acusações dos EUA intensificam um cenário de descontentamento nas relações Brasil-EUA, que já haviam sido afetadas por tarifas impostas pelo governo Trump e pela suspensão de vistos a autoridades brasileiras. O programa Mais Médicos, que visa ampliar o acesso à saúde em áreas remotas, foi inicialmente lançado em 2013 e reestruturado em 2023, após ter sido cancelado durante a administração anterior.
As declarações dos EUA e as sanções associadas ao programa Mais Médicos não apenas acentuam as tensões diplomáticas, mas também levantam questões sobre a colaboração em saúde pública entre os dois países. A comunidade internacional observa atentamente os desdobramentos dessa situação, que pode ter implicações significativas para o futuro das políticas de saúde no Brasil.
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