
Retomada das exportações sinaliza confiança no controle sanitário brasileiro e alivia impactos econômicos para o setor avícola
A Arábia Saudita e o Chile anunciaram, por meio de memorandos oficiais, a retomada das importações de carne de frango e outros produtos avícolas brasileiros, suspensas temporariamente após a ocorrência de um surto de gripe aviária em uma granja comercial localizada no estado do Rio Grande do Sul, em maio deste ano.
A decisão, divulgada nesta quinta-feira (14/08), representa um avanço importante para o setor avícola brasileiro, que enfrentou restrições comerciais severas nos últimos meses, afetando as exportações e os resultados financeiros de grandes empresas do setor, como a BRF S.A.
Retomada das exportações para a Arábia Saudita
O Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) confirmou que o governo da Arábia Saudita suspendeu a proibição temporária que impedia a entrada de carne de frango proveniente do Rio Grande do Sul. O embargo havia sido implementado como medida preventiva após a confirmação do vírus da influenza aviária altamente patogênica (IAAP) em uma unidade produtora da região.
Com a revogação da medida, as plantas frigoríficas do estado estão novamente autorizadas a exportar carne de frango para o mercado saudita, que é um dos principais destinos das exportações brasileiras no setor de proteína animal.
Chile também libera produtos avícolas com restrições
Além da Arábia Saudita, o governo chileno também comunicou oficialmente às autoridades brasileiras que voltará a importar produtos avícolas, com algumas condições. Conforme o documento enviado pelo Chile, estarão liberados para entrada no país os produtos com data de produção posterior a 9 de agosto de 2025.
Entre os itens autorizados estão:
Ovos férteis para incubação
Pintinhos de um dia
Carne de frango in natura
Produtos avícolas industrializados
O Chile também declarou que reconhece oficialmente o estado do Rio Grande do Sul como livre da Doença de Newcastle, outra enfermidade viral que, assim como a gripe aviária, é altamente contagiosa entre aves e pode gerar restrições comerciais internacionais.
Resultado de diálogo técnico e diplomático
As decisões saudita e chilena ocorrem após intensas negociações diplomáticas e sanitárias, que incluíram visitas técnicas de representantes estrangeiros ao Brasil para verificar os protocolos adotados pelo país no controle e prevenção da gripe aviária.
Durante a semana anterior, delegações chilenas estiveram no Brasil e visitaram instalações produtivas, centros de controle sanitário e laboratórios do Ministério da Agricultura. O reconhecimento da competência técnica brasileira foi essencial para a reabertura dos mercados.
Impactos no setor e reações da indústria
Em coletiva de imprensa realizada nesta quinta-feira, executivos da BRF, uma das maiores exportadoras de carne de frango do país, celebraram a decisão e destacaram a importância da retomada das exportações para o equilíbrio financeiro da companhia, cujos resultados no segundo trimestre foram impactados pelas restrições comerciais.
Apesar dos avanços com Arábia Saudita e Chile, outros mercados estratégicos, como a China, ainda mantêm restrições em vigor. O governo brasileiro, por meio do MAPA e do Ministério das Relações Exteriores, segue negociando a revogação total das medidas restritivas.
Contexto: surto e resposta sanitária
O primeiro caso de gripe aviária em granja comercial no Brasil foi confirmado em maio de 2025, no Rio Grande do Sul, o que levou à adoção imediata de medidas de contenção, incluindo o abate sanitário das aves afetadas, interdição da área e reforço da vigilância epidemiológica em todo o território nacional.
A rápida resposta do Brasil foi elogiada por organismos internacionais, como a Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA), o que ajudou a restabelecer a confiança de países importadores.
Perspectivas para o comércio exterior de proteína animal
A retomada das exportações para dois importantes parceiros comerciais representa um passo relevante na normalização das atividades de comércio exterior do setor avícola brasileiro. O Brasil é o maior exportador mundial de carne de frango, e sua capacidade de responder de forma eficaz a surtos sanitários é vista como um diferencial competitivo.
Nos próximos meses, a expectativa é que mais mercados flexibilizem ou revoguem suas proibições, à medida que os dados sobre controle da gripe aviária e segurança alimentar forem sendo atualizados e verificados por auditorias internacionais.
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