Governo Lula retoma negociações com Trump e teme que tarifaço se torne permanente

Governo Lula retoma negociação com Trump para reduzir tarifaço
Governo Lula retoma negociação com Trump para reduzir tarifaço

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva retoma nesta segunda-feira (31) as negociações comerciais com os Estados Unidos em meio à preocupação de que as tarifas impostas pelo governo de Donald Trump se tornem permanentes. Auxiliares do presidente defendem que o Brasil permaneça na mesa de negociação e tente construir um acordo com os norte-americanos.

A preocupação dentro do governo brasileiro é que a demora nas negociações prolongue as barreiras comerciais impostas aos produtos nacionais. Parte da equipe de Lula lembra que tarifas sobre setores como aço e alumínio foram adotadas ainda durante o primeiro mandato de Trump, em 2018, e permaneceram durante o governo de Joe Biden.

O cenário atual envolve uma sobretaxa que pode elevar significativamente os custos de produtos brasileiros enviados aos Estados Unidos. Segundo dados da Confederação Nacional da Indústria (CNI), as tarifas anunciadas neste ano atingem milhares de produtos e representam bilhões de dólares em exportações brasileiras.

Lula orienta governo a manter diálogo com Trump

A retomada das negociações ganhou força após uma conversa entre Lula e Trump. Segundo auxiliares do presidente brasileiro, o contato ajudou a reduzir a tensão entre os dois governos e abriu espaço para que representantes da Casa Branca voltassem a procurar o Palácio do Planalto.

A orientação de Lula é que o Brasil continue negociando e tente chegar a um entendimento com os Estados Unidos. Dentro do governo, também existe a avaliação de que um acordo na área econômica poderia representar um resultado positivo para o presidente.

Apesar disso, auxiliares reconhecem que as chances de um acordo amplo antes das eleições de outubro são consideradas reduzidas.

Brasil tenta reduzir impacto das tarifas

Nas primeiras rodadas de negociação, o Brasil apresentou aos Estados Unidos uma proposta de redução das alíquotas de importação para aproximadamente 300 produtos. A lista incluía bens de capital, como máquinas e equipamentos.

A proposta, porém, foi considerada insuficiente pelos norte-americanos, que passaram a defender uma abertura maior do mercado brasileiro para produtos de setores como indústria química, autopeças e eletroeletrônicos.

Os Estados Unidos também chegaram a sondar o Brasil sobre um possível acordo nos moldes do entendimento comercial firmado recentemente entre Washington e o governo argentino de Javier Milei.

A possibilidade, entretanto, foi considerada inadequada por integrantes do governo Lula. A avaliação é de que o acordo entre Argentina e Estados Unidos seria amplamente favorável aos interesses norte-americanos e poderia entrar em conflito com regras do Mercosul.

Etanol e açúcar estão entre os pontos de negociação

Um dos principais pontos considerados sensíveis pelo governo brasileiro envolve as tarifas sobre etanol e açúcar.

O Brasil defende que uma eventual redução das tarifas aplicadas ao etanol produzido nos Estados Unidos seja acompanhada por uma maior abertura do mercado norte-americano para o açúcar brasileiro.

Washington, porém, tem resistido a essa possibilidade. Os Estados Unidos também pressionaram o Brasil por uma proposta considerada satisfatória para evitar medidas relacionadas à redistribuição de uma cota anual de 60 mil toneladas de açúcar brasileiro.

Para o governo Lula, a questão faz parte das chamadas linhas vermelhas das negociações, ou seja, pontos considerados estratégicos e que não devem ser abandonados facilmente durante as conversas.

Reunião marca nova etapa das negociações

A reunião desta segunda-feira será realizada entre o ministro Márcio Elias Rosa, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, e Jamieson Greer, chefe do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR).

O principal objetivo do encontro será discutir formas de reduzir a incidência das tarifas sobre produtos brasileiros.

Atualmente, alguns produtos enfrentam tarifas que chegam a 37,5%. Para o governo brasileiro, esse cenário ainda deixa espaço para negociações, já que eventuais concessões dos Estados Unidos poderiam representar uma redução importante mesmo sem eliminar completamente as barreiras comerciais.

Governo brasileiro também avalia possível retaliação

Enquanto tenta avançar no diálogo com Washington, o Brasil também iniciou procedimentos previstos na Lei de Reciprocidade Econômica.

A legislação permite que o governo adote medidas de resposta a ações comerciais consideradas injustas ou desproporcionais praticadas por outros países.

Nesta primeira etapa, o governo brasileiro abriu consultas com os Estados Unidos e mobilizou diferentes ministérios para avaliar os possíveis impactos das tarifas e definir alternativas.

A estratégia mostra que o governo pretende manter duas frentes: buscar uma solução por meio da negociação diplomática e, ao mesmo tempo, preparar mecanismos de resposta caso não haja avanço nas conversas.

Tarifaço atinge milhares de produtos

Em julho, os Estados Unidos anunciaram duas novas rodadas de tarifas contra produtos brasileiros. Uma delas estabeleceu uma sobretaxa de 25% sob a justificativa de práticas comerciais consideradas desleais. Outra acrescentou 12,5% relacionada a questões envolvendo o combate à importação de produtos produzidos com trabalho forçado.

De acordo com cálculos da Confederação Nacional da Indústria, as duas tarifas atingem simultaneamente 3.985 produtos brasileiros destinados ao mercado norte-americano, representando cerca de US$ 10,8 bilhões em mercadorias, o equivalente a aproximadamente R$ 55 bilhões.

Diante do impacto potencial sobre as exportações, o governo Lula tenta evitar que as medidas se consolidem como uma política comercial permanente dos Estados Unidos.

A expectativa agora está concentrada nas novas conversas entre os dois governos e na possibilidade de uma redução das tarifas aplicadas aos produtos brasileiros.

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