Avalanche entre Nepal e Tibete deixa 362 mortos e quase 1.500 desaparecidos

Avalanche no Nepal e Tibete deixa 362 mortos e 1.468 desaparecidos
Avalanche no Nepal e Tibete deixa 362 mortos e 1.468 desaparecidos

Colapso de uma geleira provocou uma avalanche de gelo e rochas seguida por uma enxurrada de água, lama e destroços; centenas de estrangeiros estão entre os desaparecidos

Uma tragédia de grandes proporções atingiu a região de fronteira entre o Nepal e o Tibete, na China, na quarta-feira (26). Uma avalanche provocada pelo colapso de uma geleira desencadeou uma forte enxurrada, atingindo vilarejos, estradas, pontes e outras estruturas.

Segundo os balanços oficiais divulgados nesta quinta-feira (27), 362 pessoas morreram e 1.468 estão desaparecidas. Do total de mortos, 359 foram registrados no Nepal e três no Tibete.

As equipes de resgate continuam trabalhando nas áreas atingidas, mas enfrentam dificuldades devido ao grande volume de lama e destroços e ao risco de novas inundações.

Como aconteceu a avalanche no Nepal e no Tibete

A principal hipótese investigada pelas autoridades é que o colapso de uma geleira na região da montanha Langtang Lirung, que possui mais de 7 mil metros de altitude, tenha provocado o desastre.

O desprendimento de gelo e rochas atingiu um rio e desencadeou um enorme fluxo de água, lama e detritos. O volume avançou pelo canal do rio Lhende Khola e alcançou áreas habitadas.

A força da enxurrada destruiu ou danificou casas, pontes, estradas e instalações de energia próximas aos rios Trishuli e Bhote Koshi, no Nepal. A região de Gyirong, no Tibete, também foi atingida.

Inicialmente, o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) havia apontado a possibilidade de um terremoto na área. Posteriormente, o órgão esclareceu que o registro estava relacionado ao colapso da geleira, e não a um tremor de terra.

Quase 1.500 pessoas estão desaparecidas

O número de desaparecidos chegou a 1.468 pessoas, conforme os dados oficiais divulgados pelos dois países.

No Nepal, são 910 desaparecidos, enquanto no Tibete o número chega a 558. Entre as pessoas procuradas estão centenas de estrangeiros que estavam na região.

No Nepal, mais de 700 estrangeiros aparecem entre os desaparecidos. Entre eles estão cidadãos da Índia, Estados Unidos, Ucrânia, Malásia, Austrália, Reino Unido e Canadá.

No Tibete, 260 estrangeiros também estão entre os desaparecidos.

A presença de turistas e pessoas em peregrinação na região aumentou a preocupação das autoridades, que tentam identificar e localizar as vítimas.

Enxurrada destruiu vilarejos e estruturas

A enxurrada atingiu comunidades próximas aos rios e deixou uma grande quantidade de lama e destroços.

Estradas e pontes foram destruídas, dificultando a chegada das equipes de emergência às regiões mais afetadas. Algumas comunidades também ficaram isoladas após os acessos serem comprometidos.

Imagens feitas após a tragédia mostram propriedades cobertas pela lama e áreas completamente modificadas pela passagem da água e dos detritos.

A região atingida fica próxima à Cordilheira do Himalaia e possui importância turística e estratégica. Além de vilarejos e cidades, a área abriga instalações de energia, um porto e um posto de fronteira entre o Nepal e a China.

Posto de fronteira também foi atingido

O posto de fronteira entre o Nepal e a China está entre as áreas atingidas pela avalanche de lama. O local é uma importante rota de entrada e saída entre os dois países.

Imagens de câmeras de segurança registraram o avanço da lama e mostram pessoas deixando a região diante da aproximação do desastre.

A destruição de vias de acesso tornou ainda mais complexa a operação de emergência, principalmente nas comunidades localizadas próximas aos rios.

Equipes de resgate continuam as buscas

As operações de resgate seguem nesta quinta-feira (27). Equipes trabalham para localizar sobreviventes e pessoas desaparecidas em meio à lama e aos escombros.

O Exército do Nepal realizou sobrevoos na região e conseguiu retirar dezenas de pessoas de áreas afetadas. Moradores de localidades próximas aos rios também foram orientados a deixar suas casas.

As condições do terreno, entretanto, dificultam o trabalho dos socorristas. Além da lama acumulada, existe preocupação com a possibilidade de novos fluxos de água.

Existe risco de uma nova inundação

As autoridades também estão em alerta para a possibilidade de uma nova inundação.

Um bloqueio formado por detritos permanece em uma área mais alta do rio, na fronteira entre o Nepal e a China. Caso esse bloqueio se rompa, um novo volume de água pode atingir as regiões localizadas abaixo.

Especialistas do Centro Internacional para o Desenvolvimento Integrado das Montanhas (ICIMOD) alertaram para o risco e acompanham a situação.

As chuvas de monção, comuns entre junho e setembro em partes do sul da Ásia, também podem aumentar o risco de inundações e deslizamentos na região.

Mudanças climáticas podem agravar eventos extremos

A região do Himalaia é especialmente vulnerável aos efeitos das mudanças climáticas. O aumento das temperaturas pode contribuir para o derretimento e a instabilidade de geleiras, além de aumentar os riscos associados a eventos extremos.

Cientistas apontam que o aquecimento global pode favorecer a ocorrência de fenômenos mais intensos, como inundações e deslizamentos.

No caso da tragédia entre Nepal e Tibete, as autoridades ainda investigam todos os fatores que contribuíram para o colapso da geleira e a posterior enxurrada.

Estados Unidos anunciam ajuda

Diante da dimensão da tragédia, os Estados Unidos anunciaram uma ajuda de US$ 500 mil, equivalente a aproximadamente R$ 2,5 milhões, para apoiar as operações de emergência.

O governo chinês também acompanha as buscas. O presidente Xi Jinping afirmou que a prioridade deve ser o resgate das pessoas desaparecidas.

Enquanto as equipes trabalham nas áreas devastadas, familiares aguardam informações sobre centenas de pessoas que ainda não foram localizadas.

Situação atual

Até a atualização dos dados nesta quinta-feira (27):

  • 362 pessoas morreram;
  • 1.468 estão desaparecidas;
  • 359 mortes foram registradas no Nepal;
  • 3 mortes foram registradas no Tibete;
  • 910 pessoas estão desaparecidas no Nepal;
  • 558 estão desaparecidas no Tibete;
  • Centenas de estrangeiros estão entre os desaparecidos;
  • Equipes de resgate continuam atuando na região;
  • Autoridades monitoram o risco de uma nova inundação.
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