Operação Master: PF investiga fraude de R$ 13 milhões em previdência municipal
A Polícia Federal (PF) deflagrou, na manhã desta quinta-feira (23), uma operação para desarticular um esquema de gestão temerária envolvendo recursos do Regime Próprio de Previdência Social (RPPS) de servidores municipais em Santo Antônio de Posse, no interior de São Paulo. A investigação tem como foco aplicações financeiras que somam R$ 13 milhões em Letras Financeiras (LFs) emitidas pelo Banco Master.
Ao todo, seis mandados de busca e apreensão estão sendo cumpridos em Santo Antônio de Posse e Mogi Mirim. A 9ª Vara Federal de Campinas também determinou o afastamento de funções públicas e a indisponibilidade de bens dos investigados. Entre os alvos estão um ex-diretor do instituto de previdência, uma supervisora e três membros do comitê de investimentos que ainda ocupavam cargos na autarquia.
Irregularidades e Risco ao Servidor
A investigação da PF, baseada em auditorias da Subsecretaria de Regimes Próprios de Previdência Social, identificou que o instituto ignorou normas básicas de segurança e diversificação. Entre os pontos mais graves apontados pela CNN e confirmados pela operação estão:
Exposição Excessiva: O instituto possuía um limite de apenas 1% para ativos bancários, mas alocou R$ 6 milhões em uma única aplicação, comprometendo mais de 6,4% de todo o patrimônio da previdência local.
Baixa Liquidez e Longo Prazo: Os recursos foram travados em títulos com vencimentos distantes, previstos para 2033 e 2034, o que impede o uso do dinheiro em emergências.
Falta de Rigor Técnico: Não houve análise comparativa de mercado ou debate estruturado sobre os riscos de crédito dos emissores antes da alocação dos milhões.
Contexto de Pressão sobre o Banco Master
A operação ocorre em um momento delicado para o Banco Master, que também enfrenta uma disputa bilionária com o Banco de Brasília (BRB). A PF destaca que os ativos escolhidos pela previdência de Santo Antônio de Posse incluíam emissores que já sofreram intervenções do Banco Central no passado. A investigação agora busca determinar se houve favorecimento ou recebimento de vantagens indevidas para a escolha deliberada desses títulos de alto risco.







