PRISÃO DE ADVOGADA EM GOIÁS GERA CRISE INSTITUCIONAL E QUESTIONAMENTOS JURÍDICOS

Prisão de advogada em Goiás gera reação da OAB
Prisão de advogada em Goiás gera reação da OAB

PRISÃO DE ADVOGADA EM GOIÁS GERA CRISE INSTITUCIONAL E QUESTIONAMENTOS JURÍDICOS

A prisão da advogada Aricka Cunha, dentro do próprio escritório, em Cocalzinho de Goiás, provocou forte repercussão no meio jurídico e levantou questionamentos sobre possível abuso de autoridade e violação das prerrogativas da advocacia.

O caso ocorreu na tarde da última quarta-feira (15) e segue sob apuração da Polícia Civil, após reação da Ordem dos Advogados do Brasil – Seção Goiás (OAB-GO).


ENTENDA O QUE MOTIVOU A PRISÃO

Segundo informações apuradas, a detenção aconteceu após a advogada publicar, em suas redes sociais, um despacho de arquivamento de uma ocorrência policial.

O documento, assinado pelo delegado Christian Zilmon Mata dos Santos, encerrava uma denúncia feita pela própria advogada, que alegava ter sido ofendida por um servidor público nas redes sociais, sendo chamada de “loira idiota”.

Para a autoridade policial, os fatos apresentados não configuravam crime, o que motivou o arquivamento do caso.


CRÍTICA NAS REDES E PRISÃO EM FLAGRANTE

Inconformada com a decisão, Aricka Cunha utilizou as redes sociais para criticar o arquivamento. Após a publicação, o delegado entendeu que houve difamação e determinou a prisão em flagrante da advogada.

A detenção ocorreu dentro do escritório da profissional, foi registrada em vídeo e gerou repercussão. Ela foi encaminhada à delegacia, onde permaneceu até a noite do mesmo dia.

A liberação ocorreu após o pagamento de fiança no valor de R$ 10 mil.


DEFESA ALEGA VIOLAÇÃO DE PRERROGATIVAS

Após deixar a delegacia, a advogada se manifestou publicamente e classificou a prisão como ilegal.

Ela argumenta que o Estatuto da Advocacia garante a inviolabilidade do escritório profissional e que houve desrespeito às garantias legais durante a abordagem.

O episódio reacende o debate sobre os limites entre liberdade de expressão e responsabilização por manifestações públicas envolvendo autoridades.


OAB APONTA ABUSO E ANUNCIA MEDIDAS

A Ordem dos Advogados do Brasil – Seção Goiás reagiu ao caso classificando a prisão como arbitrária.

A entidade anunciou a adoção de medidas, incluindo:

  • Representação por abuso de autoridade
  • Acionamento da Corregedoria da Polícia Civil
  • Solicitação de apuração formal dos fatos

Além disso, a OAB atua para anular o auto de prisão em flagrante e acompanhar o caso até a responsabilização dos envolvidos.


INVESTIGAÇÃO EM ANDAMENTO

Em nota oficial, a Polícia Civil de Goiás informou que o caso foi encaminhado à Superintendência de Correições e Disciplina, responsável pela apuração.

O episódio amplia o debate jurídico sobre a atuação policial em situações que envolvem profissionais da advocacia, especialmente no exercício da função.

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