PF prende ex-presidente do BRB em investigação sobre o Banco Master
A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta quinta-feira (16), uma nova fase da Operação Compliance Zero, resultando na prisão de Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB (Banco de Brasília). A ação investiga um esquema bilionário de irregularidades envolvendo a tentativa de compra do Banco Master, de Daniel Vorcaro, e a aquisição de carteiras de crédito com indícios de fraude.
Paulo Henrique Costa, que comandou a instituição entre 2019 e 2025, é acusado de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Segundo as investigações, o executivo teria recebido como propina seis imóveis de luxo, localizados em São Paulo e Brasília, avaliados em mais de R$ 140 milhões. Além de Costa, o advogado Daniel Monteiro também foi preso, suspeito de redigir contratos fraudulentos e coordenar empresas de fachada para ocultar os pagamentos ilícitos.
Carteiras “Fantasmas” e Pressão Interna
Uma auditoria independente entregue à PF revelou que as operações com o Banco Master eram tratadas internamente como o “negócio do presidente”. O relatório aponta que o BRB comprou cerca de R$ 21,9 bilhões em carteiras do banco ligado a Vorcaro, sendo que R$ 12,3 bilhões desses ativos apresentam sérias inconsistências, como:
Ausência de lastro financeiro;
Registros em nome de pessoas falecidas;
Contratos inadimplentes e vícios documentais.
A suspeita é que o BRB tenha sido utilizado para “salvar” o Master, aceitando papéis fabricados sem o devido pagamento, em manobras que evitavam a fiscalização do Conselho de Administração por meio da fragmentação dos valores.
Histórico e Defesa
Paulo Henrique Costa foi indicado ao cargo pelo ex-governador do DF, Ibaneis Rocha, e já havia sido afastado em novembro de 2025, durante a primeira fase da operação. Na ocasião, ele negou qualquer irregularidade, sustentando que as decisões do banco eram colegiadas e seguiam padrões de mercado.
As investigações agora avançam sobre como Daniel Vorcaro e seus associados conseguiram se tornar acionistas de 23,5% do próprio BRB por meio de operações trianguladas de aumento de capital. A defesa de Costa ainda não se manifestou sobre a prisão desta quinta-feira.







